domingo, 30 de agosto de 2009

Negociante de esquerda

“Não queremos acordo com a direita reacionária de São Paulo”.

José Dirceu, guerrilheiro comunista aposentado e facilitador de negócios capitalistas em plena atividade, insinuando que quer ver Paulo Maluf fora da base alugada.

Perfeito o comentário do Ricardo das 17:37.
O duro é pensar que ainda tem idiotas que acham que Pedro caroço merece credibilidade. O nosso guia- assassino de plurais- é um deles.

  1. Como não existe direita reacionária no Brasil, Pedro Caroço está dizendo que fará acordos com qualquer um, inclusive com marcianos, lunáticos, e aloprados.

  2. Nada mais direita reacionária do que um lobista de quinta categoria com discurso “proletário”.

  3. Carlos Renato Fortes Vendramini:Pedro Caroço continua terrível. Falando grosso como antes de ser cassado da camarazinha federal. Ficou afastado dos holofotes e, agora que o “nosso orelhada” o incumbiu de uma missão, volta com a corda toda. Mas é só o tipo do cachorro que ladra porém não morde. O pessoal do bar da esquina em Cruzeido do Oeste está com saudades.

  4. Walter disse: Zé Dirceu perde os empregos de ministro, deputado, mas não a grana que abastece seus cofres. Interessante saber de onde vem os proventos de Zé Dirceu que viaja pelo mundo, muitas vezes em jatinhos particulares.
    Será que algum dia Zé dirá? Será que vai terminar de escrever o livro que prometeu? Será que continuará brigando “na pranície e no pranarto”?

A escolha do advogado pode ser mais reveladora que qualquer confissão

Entre uma citação em italiano de feira e outra em alemão de novela, o advogado José Roberto Batochio engatou a voz em segunda marcha para subir lentamente o aclive, estacionar na altitude exata e, caprichando na imitação de um pote até aqui de cólera, soltar a frase que haveria de deixar pálidas de espanto as nove togas presentes. “Este caso é uma versão falsificada de Davi e Golias”, comunicou ao Supremo Tribunal Federal o criminalista de 65 anos que presidiu a OAB paulista, foi deputado federal pelo PDT e se acha capaz de absolver até um serial killer preso ainda empoleirado na pilha de cadáveres. Em vez de uivos de admiração, o orador pernóstico ouviu o grito do silêncio.

Açulada pela imprensa, prosseguiu,  a opinião pública sempre escolhe o lado mais fraco quando confrontada com o que lhe parece “uma disputa do poderoso contra o humilde, o singelo, o quase indigente”. O problema é que as aparências enganam. O ex-ministro Antonio Palocci, por exemplo, não tem nada a ver com um Golias, embora pareça. O caseiro desempregado Francenildo Costa parece um Davi, mas não é. Como os brasileiros desinformados pela imprensa insistem em achar que são, melhor esquecê-los. “A opinião leiga é o mau juiz”, concluiu. Opinião leiga, no juridiquês falado por Batochio, é o outro nome do Brasil que pensa. E maus juízes são os brasileiros que veem as coisas como as coisas são.

Essa gente vê em José Roberto Batochio, por exemplo, um profissional que,  também por ter-se dispensado do compromisso com a verdade, tornou-se um dos criminalistas mais solicitados pela bandidagem da classe executiva. Há cinco anos, vem ganhando muitas causas, muitos clientes, muito dinheiro. A fama de craque consolidou-se quando impediu que a mão da Justiça alcançasse Paulo Maluf e seu filho Flávio. Quem salva uma dupla desse calibre faz qualquer milagre, ficou estabelecido. E a lista de fregueses  virou um fichário dos figurões que se meteram em confusões de bom tamanho. Todos pecaram. Nenhum foi castigado.

A escolha do advogado pode ser mais reveladora que qualquer confissão. Mas isso não é levado em conta no que o ministro Gilmar Mendes chama de “julgamentos técnicos”. O preço é caro, mas quem assina o contrato leva de brinde o militante. Nos tribunais, nas entrevistas, em artigos nos jornais, Batochio fantasia com tamanha veemência que até parece acreditar no que diz. Muitos acharam que ele estava mesmo querendo respostas quando produziu um dos melhores momentos da sessão lastimável: “Qual foi o ato, a ação, a conduta concreta do ministro Palocci, no sentido de promover, de participar na quebra do sigilo bancário, ou na divulgação dos dados bancários?”. Claro que o Batochio sabe que o estuprador autorizou a consumação do crime. Claro que sabe que os cúmplices Jorge Mattoso e Marcelo Neto não deram um passo sem o consentimento do chefe.

Se estivesse a serviço de Francenildo, diria isso com igual veemência. Como quem está pagando é o culpado, acusou a vítima, com a mesma expressão sem culpas de quem não perde o sono por pouca coisa. Sempre com a autoconfiança que transpira na foto que reuniu o Davi da vez e o aliado de um Golias. Com o terno cinza e a gravata roxa que o advogado emprestou (e os sapatos marrons e as meias esportivas que o advogado esqueceu de substituir), Francenildo tem o olhar desconfiado de quem descobriu ter penetrado em território hostil. O doutor está em casa. Sublinhados pela gravata de grife, a qualidade do tecido e o corte impecável avisam que o terno é melhor que a silhueta. Mas ele não percorre uma passarela. Caminha para outro triunfo. Sabe que aqui os Davis jamais serão reis. Perdem sempre, perdem todas.

Terminada a sessão, Francenildo voltou ao emprego provisório. “Tenho de ralar”, explicou. Batochio foi encontrar Palocci. Enquanto o caseiro ralava, rolava a festa da vitória.

Acervo HISTÓRICO de Escândalos

(GUARDAR  PARA   LEMBRAR  NAS  URNAS)
UM VERDADEIRO  ACERVO  HISTÓRICO

Progressão do aprendizado delitivo no eterno 'País do Futuro'.

Governo Ernesto Geisel ( 1974- 1979)

  1. Caso Wladimir Herzog
  2. Caso Manuel File Filho
  3. Caso Lutfala
  4. Caso Atalla
  5. Ângelo Calmon de Sá (ministro acusado de passar um gigantesco cheque Sem fundos)
  6. Lei Falcão (1976)
  7. Pacote de Abril (1977)
  8. Grandes Mordomias dos Ministros
Governo João Figueiredo (1979- 1985)
  1. Caso Capemi
  2. Caso do Grupo Delfim
  3. Escândalo da Mandioca
  4. Escândalo da Brasilinvest
  5. Escândalo das Polonetas
  6. Escândalo do Instituto Nacional de Assistência Médica do INAMPS
  7. Caso Morel
  8. Crime da Mala
  9. Caso Coroa-Brastel
  10. Escândalo das Jóias
Governo Sarney ( 1985- 1990)
  1. CPI DA Corrupção
  2. Escândalo do Ministério das Comunicações (Grande número de concessões de rádios e TVs para políticos aliados ou não Ao Sarney. A concessão é em troca de cargos, votos ou apoio Ao presidente)
  3. Caso Chiarelli (Dossiê do Antônio Carlos Magalhães contra o senador Carlos Chiarelli ou 'Dossiê Chiarelli')
  4. Caso Imbraim Abi-Ackel
  5. Escândalo da Administração de Orestes Quécia
  6. Escândalo do Contrabando das Pedras Preciosas
Governo Fernando Collor (1990- 1992)
  1. Escândalo da Aprovação da Lei da Privatização das Estatais
  2. Programa Nacional de Desestatização
  3. Escândalo do INSS (ou Escândalo da Previdência Social)
  4. Escândalo do BCCI (ou caso Sérgio Corrêa da Costa)
  5. Escândalo da Ceme (Central de Medicamentos)
  6. Escândalo da LBA
  7. Esquema PP
  8. Esquema PC (Caso Collor)
  9. Escândalo da Eletronorte
  10. Escândalo do FGTS
  11. Escândalo da Ação Social
  12. Escândalo do BC
  13. Escândalo da Merenda
  14. Escândalo das Estatais
  15. Escândalo das Comunicações
  16. Escândalo da Vasp
  17. Escândalo do Fundo de Participação
  18. Escândalo do BB
Governo Itamar Franco ( 1992- 1995)
  1. Centro Federal de Inteligência (Criação da CFI para combater corrupção em todas as esferas do governo)
  2. Caso Edmundo Pinto
  3. Escândalo do DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) (ou caso Inocêncio Oliveira )
  4. Escândalo da IBF ( Indústria Brasileira de Formulários)
  5. Escândalo do INAMPS ( Instituto Nacional de Assistência Previdência Social)
  6. Irregularidades no Programa Nacional de Desestatização
  7. Caso Nilo Coelho
  8. Caso Eliseu Resende
  9. Caso Queiroz Galvão (em Pernambuco)
  10. Escândalo da Telemig (Minas Gerais)
  11. Jogo do Bicho (ou Caso Castor de Andrade) (no Rio de Jane iro)
  12. Caso Ney Maranhão
  13. Escândalo do Paubrasil (Paubrasil Engenharia e Montagens)
  14. Escândalo da Administração de Roberto Requião
  15. Escândalo da Cruz Vermelha Brasileira
  16. Caso José Carlos da Rocha Lima
  17. Escândalo da Colac (no Rio Grande do Sul)
  18. Escândalo da Fundação Padre Francisco de Assis Castro Monteiro ( em Ibicuitinga, Ceará )
  19. Escândalo da Administração de Antônio Carlos Magalhães (Bahia)
  20. Escândalo da Administração de Jaime Campos (Mato Grosso)
  21. Escândalo da Administração de Roberto Requião (Paraná)
  22. Escândalo da Administração de Ottomar Pinto (em Roraima)
  23. Escândalo da Sudene de Pernambuco
  24. Escândalo da Prefeitura de Natal (no Rio Grande do Norte)
  25. CPI do Detran (em Santa Catarina)
  26. Caso Restaurante Gulliver (tentativa do governador Ronaldo Cunha Lima matar o governador antecessor Tarcísio Burity, por causa das denúncias de Irregularidades naSudene de Paraíba)
  27. CPI do Pó (em Paraíba)
  28. Escândalo da Estacom (em Tocantins)
  29. Escândalo do Orçamento da União (ou Escândalo dos Anões do Orçamento ou CPI do Orçamento)
  30. Compra e Venda dos Mandatos dos Deputados do PSD
  31. Caso Ricupero (também conhecido como 'Escândalo das Parabólicas')..
Governo Fernando Henrique (1995- 2003)
  1. Escândalo do Sivam
  2. Escândalo da Pasta Rosa
  3. Escândalo da CONAN
  4. Escândalo da Administração de Paulo Maluf
  5. Escândalo do BNDES (verbas para socorrerem ex-estatais privatizadas)
  6. Escândalo da Telebrás
  7. Caso PC Farias
  8. Escândalo da Compra de Votos Para Emenda DA Reeleição
  9. Escândalo da Venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
  10. Escândalo da Previdência
  11. Escândalo da Administração do PT (primeira denúncia contra o Partido dos Trabalhadores desde a fundação em 1980, feito pelo militante do partido Paulo de Tarso Venceslau)
  12. Escândalo dos Precatórios
  13. Escândalo do Banestado
  14. Escândalo da Encol
  15. Escândalo da Mesbla
  16. Escândalo do Banespa
  17. Escândalo da Desvalorização do Real
  18. Escândalo dos Fiscais de São Paulo (ou Máfia dos Fiscais)
  19. Escândalo do Mappin
  20. Dossiê Cayman (ou Escândalo do Dossiê Cayman ou Escândalo do Dossiê Caribe)
  21. Escândalo dos Grampos Contra FHC e Aliados
  22. Escândalo do Judiciário
  23. Escândalo dos Bancos
  24. CPI do Narcotráfico
  25. CPI do Crime Organizado
  26. Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo FHC
  27. Escândalo da Banda Podre
  28. Escândalo dos Medicamentos
  29. Quebra do Monopólio do Petróleo (criação DA ANP)
  30. Escândalo da Transbrasil
  31. Escândalo da Pane DDD do Sistema Telefônico Privatizado (o 'Caladão')
  32. Escândalo dos Desvios de Verbas do TRT-SP (Caso Nicolau dos Santos Neto , o 'Lalau')
  33. Escândalo da Administração da Roseana Sarney (Maranhão)
  34. Corrupção na Prefeitura de São Paulo (ou Caso Celso Pitta)
  35. Escândalo da Sudam
  36. Escândalo da Sudene
  37. Escândalo do Banpará
  38. Escândalo da Quebra do Sigilo do Painel do Senado
  39. Escândalos no Senado em 2001
  40. Escândalo da Administração de Mão Santa (Piauí)
  41. Caso Lunus (ou Caso Roseana Sarney)
  42. Acidentes Ambientais da Petrobrás
  43. Abuso de Medidas Provisórias (5.491)
  44. Escândalo do Abafamento das CPIs no Governo do FHC
e agora...
Uma pequena AMOSTRA do Governo Lula
CALMA... Vai ter muito mais!!!
  1. Caso Pinheiro Landim
  2. Caso Celso Daniel
  3. Caso Toninho do PT
  4. Escândalo dos Grampos Contra Políticos da Bahia
  5. Escândalo do Proprinoduto (também conhecido como Caso Rodrigo Silveirinha )
  6. CPI do Banestado
  7. Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MST
  8. Escândalo da Suposta Ligação do PT com a FARC
  9. Privatização das Estatais no Primeiro Ano do Governo Lula
  10. Escândalo dos Gastos Públicos dos Ministros
  11. Irregularidades do Fome Zero
  12. Escândalo do DNIT (envolvendo os ministros Anderson Adauto e Sérgio Pimentel)
  13. Escândalo do Ministério do Trabalho
  14. Licitação Para a Compra de Gêneros Básicos
  15. Caso Agnelo Queiroz (O ministro recebeu diárias do COB para os Jogos Panamericanos)
  16. Escândalo do Ministério dos Esportes (Uso da estrutura do ministério para organizar a festa de aniversário do ministro Agnelo Queizoz)
  17. Operação Anaconda
  18. Escândalo dos Gafanhotos (ou Máfia dos Gafanhotos)
  19. Caso José Eduardo Dutra
  20. Escândalo dos Frangos (em Roraima)
  21. Várias Aberturas de Licitações da Presidência da República Para a Compra de Artigos de Luxo
  22. Escândalo da Norospar (Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná)
  23. Expulsão dos Políticos do PT
  24. Escândalo dos Bingos (Primeira grave crise política do governo Lula) (ou Caso Waldomiro Diniz)
  25. Lei de Responsabilidade Fiscal (Recuos do governo federal da LRF)
  26. Escândalo da ONG Ágora
  27. Escândalo dos Corpos (Licitação do Governo Federal para a compra de 750 copos de cristal para vinho, champagne, licor e

LOS APELLIDOS TERMINADOS EN 'EZ'

NADA COMO UM POUCO DE CULTURA...
LOS APELLIDOS TERMINADOS EN 'EZ'

Un puntito de educación en el amplísimo campo de la rica gramática de la Lengua Española.

El sufijo ' EZ ' al final de los apellidos hispanos proviene de una raiz hebrea sefardí y tiene la connotación de 'Hijo de... '.

Es así como apellidos considerados muy castizamente españoles como UNA  APORTE DE CULTURA GENERAL

Álvarez significa 'Hijo de Álvaro'
Rodríguez 'Hijo de Rodrigo'
López 'Hijo de Lope'
González 'Hijo de Gonzalo'
Martínez 'Hijo de Martín'
Hernández 'Hijo de Hernan'
o Benitez ' Hijo de Benito'

Sólo existen 3 excepciones gramaticales a ésta regla:

Hugo ChávEZ,
Cristina FernandEZ,
y
Evo MoralEZ:

Estos son:
'Hijos de una gran Puta'

REPASSANDO......este desabafo também é meu.

'Fé demais não cheira bem'

Publicada em 21/08/2009 às 12h59m

Artigo do leitor Lucio Mauro Filho

Em outubro de 2002, nós artistas fomos convidados a participar de um encontro com o então candidato à Presidência da República Luis Inácio Lula da Silva na casa de espetáculos Canecão, no Rio de Janeiro. Fui ao encontro como eleitor de Lula desde o meu primeiro voto e também como cidadão brasileiro ansioso por mudanças na forma de se fazer política no país. O clima era de festa, com muitos colegas confraternizando e um sentimento que desta vez a vitória viria.

Na porta principal da casa, uma tropa de políticos do PT e da coligação partidária recebia a todos com bottons, apertos de mãos firmes e palavras de ordem. E no meio de quadros tão interessantes da nossa política, este que vos fala foi recebido justamente por quem? Pelo Bispo Rodrigues (hoje ex-político e ex-religioso).

As pulgas correram todas para trás da minha orelha. Ser recebido no encontro do Lula com os artistas pelo bispo da Igreja Universal filiado ao extinto PL não era bem o que eu esperava daquela ocasião. Era um prenúncio claro do que viria a acontecer depois.

Veio o apoio do PTB de Roberto Jefferson, que tinha horror a Lula, mas que mesmo assim acabaria recomendando o voto no candidato do PT, como forma de desagravo ao então presidente do seu partido, José Carlos Martinez, que por sua vez tinha ódio por José Serra, a quem considerava culpado pela volta aos jornais da história do empréstimo que ele teria recebido de Paulo César Farias, no início dos anos 90. Com essa turma, a candidatura de Lula chegava à reta final.

A vitória veio e, com ela, uma onda de otimismo e de esperança em dias melhores, de mais inclusão, mais justiça social e menos corrupção e descaso. Éramos os pentacampeões mundiais no futebol e com Lula presidente ninguém segurava essa Nação. Pra frente Brasil!

Depois de dois anos de namoro, os ventos começaram a mudar com o surgimento de uma gravação onde Waldomiro Diniz, subchefe de assuntos parlamentares da Presidência da República, extorquia um bicheiro para arrecadar fundos para as campanhas eleitorais do PT e do PSB no Rio. O fato foi tratado como um deslize isolado de um funcionário de segundo escalão que de forma alguma representava a ideologia do Partido dos Trabalhadores. Waldomiro foi afastado do governo.

Em meados do ano seguinte surgiu uma nova gravação, onde o então funcionário dos correios Maurício Marinho aparecia recebendo dinheiro de empresários. Ele dizia ter autorização do deputado Roberto Jefferson do PTB. Em defesa de seu aliado, o presidente Lula afirmou na época que confiava tanto em Jefferson que lhe daria um "cheque em branco".

As investigações foram aprofundadas e na base do "caio, mas levo todo mundo junto", o deputado afirmou em entrevista à "Folha de São Paulo" que existia uma prática de mesada paga aos deputados para votarem a favor de projetos de interesse do governo. Lula deu o cheque em branco e recebeu de volta a crise que derrubaria, um por um, os homens fortes do seu partido. E de uma hora para outra, José Dirceu, José Genoíno, Antônio Palocci, João Paulo Cunha e outros políticos que tanto admirávamos, chafurdaram na lama da política suja, com histórias de abuso de poder, tráfico de influência e até coisas inimagináveis, como dólares transportados em cuecas e saques em boca de caixa totalmente suspeitos.

Acabou a inocência. O PT começou a desprezar quadros importantes do partido que não concordavam com as posições incoerentes com a luta pela ética e a moralização do país. Pior do que isso, acabou por expulsar alguns deles, como a senadora Heloísa Helena e os deputados Babá e Luciana Genro. Outros saíram por também não concordarem com as práticas até então impensáveis para um partido que se julgava detentor da bandeira da honestidade. E assim partiram Cristovam Buarque e Fernando Gabeira.

Apesar de toda uma nova geração de políticos interessados em refundar o partido e aprender com os erros, como José Eduardo Cardozo, Delcídio Amaral e Ideli Salvati, o PT preferiu manter a estratégia do aparelhamento, do fisiologismo e do poder a todo custo, elegendo o pau mandado Ricardo Berzoini novo presidente do partido. Ele representava o Campo Majoritário, grupo que sempre esteve na presidência do PT desde sua fundação.

Depois que nada foi provado na CPI do Mensalão, o Partido dos Trabalhadores percebeu que a bandeira da ética já não importava mesmo e começou novamente uma fase "rolo compressor" de conchavos e blindagens com o que há de pior na política brasileira. Veio o segundo mandato e com ele o fato. O presidente Lula cada vez mais nas mãos do PMDB, o partido que definitivamente não está nem aí com ideologias, ética ou qualquer coisa parecida.

Depois da derrocada dos grandes caciques do PT, restou Dilma Roussef, a super ministra, como única opção de candidatura para a sucessão do presidente Lula. Mas Dilma não tem carisma nenhum. É uma figura técnica, fria. Precisa desesperadamente do presidente preparando palanques com dois anos de antecedência, emprestando toda a sua popularidade, como uma espécie de "ghost charisma". Precisa também do PMDB com seus acordos e chantagens como co-patrocinador político da candidatura.

Para isso, foi preciso o governo se meter em mais outra crise e comprovar que é muito mais PMDB que PT. Depois de Jefferson, Bispo Rodrigues, Severino Cavalcanti, os eleitores do Lula estão tendo que agüentar o pior. Ver o presidente de mãos dadas com Fernando Collor, Renan Calheiros e José Sarney. E ver um Conselho de Ética formado em sua maioria por suplentes como os senadores Wellington Salgado, Gim Argello e até o presidente do conselho, Paulo Duque, que afirmou que "adora decidir sozinho".

No momento em que políticos como Aloizio Mercadante tentam juntar os cacos do PT, tomando atitudes coerentes com o que o partido sempre pregou, lá vem o executivo com sua emparedada já tradicional, desautorizando o líder de sua bancada, mais uma vez constrangido pela direção do PT. E as promessas as quais me referi lá atrás, Delcídio e Ideli, votaram a favor do arquivamento de tudo e da permanência do que aí está. Mais uma vez, o fim justifica os meios.

E assim, é a vez de Marina Silva abandonar o barco, cansada de guerra. A ex-ministra do Meio Ambiente que viu o presidente Lula entregar nas mãos do ministro extraordinário de assuntos estratégicos, Mangabeira Ünger, o Programa Amazônia Sustentável (PAS). Justo ela, uma cidadã da Amazônia. Foi a gota d'água. Desautorizada, Marina deixou o cargo. Agora, deixa o partido. E o Mangabeira Ünger? Voltou para Harvard para não perder o salário de professor (em dólar), deixando os assuntos estratégicos para o passado.

Esse é o atual panorama da política nacional. Deprimente. Políticos dizendo na cara de seus eleitores que realmente estão se lixando. Acabou o pudor. Com o presidente Lula corroborando tudo que é canalhice e uma oposição que é também responsável por tudo que aí está, pois governaram o país por todos esses anos e ajudaram a moldar todas as práticas que o governo do PT aperfeiçoou, talvez estejamos realmente precisando de uma terceira via.

Eu não sei se imaginei um cenário tão devastador quando constrangido evitei o aperto de mão do Bispo, lá na porta do Canecão. Mas um trocadilho não me sai da cabeça: "Fé demais não cheira bem".

Lucio Mauro Filho é ator e roteirista

A relação do homem com o poder remonta à fundação da cidade-Estado

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Autor de “Calendário do Poder”

Uma das características do poder é imantar em muitos que o ocupam a pretensão de nele se perpetuar. Nada mais trágico para tais pessoas do que sua perda: ficam com baixa autoestima, sentem-se abandonadas, lamentam a perda de privilégios e mordomias.

Daí o empenho de tantos para se perpetuarem no poder. Ao se defender no Senado, Sarney gabou-se de estar nele há 55 anos!

A questão do poder desponta com o surgimento da cidade-Estado, no início do IV milênio a.C. É quando o ser humano se desprende do ciclo da natureza.

Já não funda sua identidade nos vínculos comunitários da sociedade agrária. Sua consciência se personaliza, ele se torna senhor do próprio destino, livre das mutações ecológicas que antes criavam nele a sensação de fatalidade.

A fundação da cidade-Estado, ao inverter a relação que o ser humano tinha com a natureza, o faz perceber que não é mais ele que deve se adaptar às condições dela, mas é ela que deve se submeter às suas vontades.

Antes, deuses atuavam movidos por forças obscuras que escapavam do controle humano. Agora, são vistos como fundamento e reflexo da hierarquia que caracteriza a cidade-Estado. O rei é mediador entre as ordens celestial e terrena. Interfere, não apenas na natureza, mas também na história.

Embora seja revestido de sacralidade, as leis que promulga são obra humana, suscetível de limitações e erros. E a morte passa a ser encarada pela ótica da tragédia.

O poder pode tudo, exceto evitar que poderosos sejam “derrubados de seus tronos e, pela morte, despedidos com as mãos vazias”, como canta Maria no Magnificat.

São Lucas Capítulo 1  vessículos de 46 a 56

"Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus meu salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva.

Doravante todas as gerações me felicitarão, porque o Todo Poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo, e sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração.

Ele realizará proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias.

Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, - conforme prometera aos nossos pais  - em favor de Abraão e de sua descendência para sempre."

"É necessário usar ciência e a arte de formar cidadãos conscientes, saudáveis e equilibrados nos seus atos pessoais e sociais".

Existem pessoas que buscam o poder coercitivo, que é um mecanismo doentio, sob o ponto de vista psicológico".

A ânsia de poder neste caso não se origina da força, mas da fraqueza. Ela é expressão da incapacidade do eu individual para ficar sozinho e viver. É um esforço desesperado para conseguir força simulada quando se tem falta de força autêntica. O oposto do poder neurótico e manipulador não é a ausência de poder e de liderança, mas o poder solidário, a estrutura que se organiza para facilitar a ajuda mútua..."

Debaixo do Pano

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