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sábado, 22 de agosto de 2009

Mentir ou não mentir, eis a questão!

Por Carlos Alberto Cordella

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O grande legado do governo Lula às gerações futuras deste país tem sido a banalização da verdade, a pregação da mentira e a sua valorização como uma verdade absoluta. Os fatos estão aí escancarados, com inúmeros exemplos divulgados pela mídia. São processos judiciais em andamento, denúncias de suborno, corrupção, tráfico de influência, uso indevido de cartões corporativos, comissões parlamentares de inquérito, cassações com provas em abundância, formações de quadrilha e por aí vai. A menos que todos estes fatos evidenciados, existam apenas em uma mente doentia ou no delírio coletivo, diante das provas apresentadas, os envolvidos nesses escândalos não passariam de vítimas de um regime opressor e de seus interrogadores.

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João Paulo Cunha, envolvido no mensalão banalizou a verdade, ao informar não saber a origem do dinheiro que recebeu de Marcos Valério e dos contratos firmados pela Câmara dos Deputados, quando era presidente desta. Emocionado evocou sua coragem e dignidade.

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José Dirceu banalizou a verdade, descaradamente, ao alegar não ter envolvimento com o mensalão. Que este não existia, que era uma ficção e invenção da oposição. Mentiu sobre seu relacionamento e negócios com Waldomiro Diniz, que envolvia propina do jogo do bicho para campanhas eleitorais. Foi cassado e indiciado por formação de quadrilha. Emocionado evocou sua coragem, honra e dignidade.

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José Genoíno banalizou a verdade, ao negar seu envolvimento no mensalão e com Delúbio Soares e Marcos Valério. Alegou ter sido vítima de um linchamento político. Foi indiciado por formação de quadrilha. Emocionado e evocou sua coragem e dignidade.

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Tivemos o envolvimento do Senador Renan Calheiros em atividades extraconjugais, que em plenário, num verdadeiro pastelão, também evocou sua honra, dignidade e a família. E há ainda inúmeros outros casos envolvendo políticos, Ministros de Estado, Juízes e pessoas públicas quase que diariamente sendo divulgados pela mídia. É muita corrupção, clientelismo e rapinagem sob as bênçãos do governo Lula. Todos são dígnos e honrados.

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Agora, mais recentemente, surge o caso do dossiê elaborado pela Casa Civil, cujo titular é a senhora Dilma Roussef, expondo gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no uso indevido dos cartões corporativos.

O que todos estes fatos e pessoas têm em comum?

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Todos os fatos aconteceram durante o governo do presidente Lula e todas as pessoas envolvidas são do PT ou prestavam serviços a este partido ou ao governo. Característica comum no mentiroso é que ao ser apanhado na mentira se emociona, chegando por vezes às lágrimas, se faz de vítima e geralmente evoca a Deus, sua honra e a família. Há inúmeros casos recentes envolvendo Ministros de Estado, Congressistas, Juízes e pessoas públicas confirmando isto.

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A senhora Dilma Roussef, Ministra Chefe da Casa Civil, que ocupa o cargo mais importante de assessoramento ao Presidente da República, ao depor no Senado e sob a inquirição do Senador Agripino Maia, banalizou a verdade. Quando o Senador lhe questionou sobre declarações suas defendendo a mentira durante a ditadura militar, esta, muito emocionada, quase em lágrimas, lhe respondeu:
-“Qualquer comparação entre a ditadura militar brasileira com a democracia só pode partir de quem não dá valor a democracia
brasileira”
Fica aqui observação do autor que durante o Regime Militar quando a senhora Dilma era apenas uma guerrilheira, com 19 anos, e empunhava armas, estas com certeza não eram empunhadas com fins pacíficos. Quem empunha armas as empunha com uma finalidade bem definida.

A senhora Dilma ainda disse:
-“Eu tinha 19 anos. Eu fiquei presa três anos na cadeia e fui barbaramente torturada”.
Nota do autor:
-“Uma pessoa que afirma publicamente ter sofrido três anos consecutivos de tortura com métodos violentos, sanguinários e brutais
como descritos pela senhora Dilma, está banalizando a verdade. Ninguém em sã consciência acredita que uma moça frágil, de apenas 19 anos de idade, submetida barbaramente a tortura, durante três longos anos, não apresente cicatrizes visíveis e deformações físicas ou mentais. A senhora Dilma novamente banalizou a verdade”.
Continuando a senhora Dilma afirmou:
-“Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogadores compromete a vida de seus iguais e entrega pessoas para serem mortas”.
Nota do autor:
-Com base em suas palavras e considerando o fato de ter sido barbaramente torturada, durante três anos, fica evidente que a senhora Dilma não teria suportado tanta dor, teria sucumbido e, portanto, a senhora Dilma está banalizando a verdade”.
A senhora Dilma ainda afirmou:
-“Mentir na tortura não é fácil, agora na democracia se fala a verdade. Diante da tortura quem tem coragem e dignidade fala mentira”.
Nota do autor:
-“A senhora Dilma deve ter visto muitos filmes do Rambo e do Jason Bourne e o fato de estar viva contraria a ciência. Está provado que o corpo humano não resiste a três anos de intensa tortura com requintes de crueldade. Jesus Cristo não resistiu. A senhora Dilma novamente banalizou a verdade. A senhora Dilma deveria ser estudada pela ciência.
Seus companheiros de partido e de armas, citados acima, ao deporem na CPI do mensalão, estavam sob o regime democrático brasileiro e não sob tortura. Emocionados, demonstrando muita coragem e dignidade disseram tão somente a verdade a seus interrogadores. Não foram barbaramente torturados ou sequer molestados. Na afirmação da senhora Dilma mentir na tortura não é fácil, já na democracia se fala a verdade. Agora, até eu estou confuso.
Não nos esqueçamos que à época em que a senhorita Dilma empunhava seu fuzil durante o Regime Militar, esta, não defendia a democracia. Esta defendia a implantação, no Brasil, de um sistema totalitário nos moldes de Cuba.
Por mais irônico que isto possa parecer, foram justamente os militares, que defenderam a democracia e graças a eles que, hoje, a
senhora Dilma e seus companheiros, podem vir de público e emocionados, demonstrar toda a sua dignidade e coragem, banalizando a verdade”.

Mentir ou não mentir, eis a questão!
Como é maravilhosa a democracia petista..

domingo, 16 de agosto de 2009

A Máfia de Brasília

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A Máfia de Brasília

Deu no Mídia sem Máscara

Ipojuca Pontes | 11 Agosto 2009
Artigos - Governo do PT

Como se sabe, Paulo Duque, Renan Calheiros, Collor de Melo, Jader Barbalho, etc., cada um deles são apenas "capo". O "capo di tutti cappi" estava instalado no Trono do Poder, planejando passo a passo, meticulosamente, o massacre político do que se tem como oposição.

Zé Sarney, impostado como a cor do bigode pintado de acaju, colarinho branco asfixiando o pescoço, apontou na tela do "power point" uma lista de nomes contemplados pelo regime do nepotismo selvagem vigente no Senado, e disse:

- Rodrigo Cruz. Também não sei quem é.

Semanas antes, Sarney tinha sido padrinho de casamento de Rodrigo Cruz, genro de Agaciel Maia - uma sua "cria" na direção-geral do Senado - que fora contemplado em "ato secreto" com uma boca-rica no Senado da República. O próprio presidente do Senado, "padrinho de casamento", deixara-se fotografar ao lado do apadrinhado, ar solene e testemunhal. (No outro dia, acuado, Sarney disse que referia a um "outro" Rodrigo, e não "aquele" Rodrigo, mas o PSOL, em nota, reafirmou que o presidente do Senado, "estava mentindo".

Por outro lado, semana antes, Sarney tinha negado seu envolvimento ou responsabilidade no que diz respeito à suspeição do desvio de verbas de patrocínio cultural da Petrobras (no valor de R$ 500 mil) dentro da Fundação que carrega seu nome, visto, segundo ele, ter delegado poderes administrativos a terceiros. Por baixo do pano, no entanto, na qualidade de Presidente de Honra da Fundação, pressionava, como presidente do Senado, o Ministro da Cultura, por bilhete, objetivando a rápida tramitação do projeto cultural  - que, de resto, nunca foi executado.

Logo depois da denúncia da fraude levantada pelo "Estadão", mais de 90 milhões de brasileiros  tinham tomado conhecimento, no  "Jornal Nacional", de gravação feita pela Polícia Federal em que Zé Sarney, em conversa telefônica, muito bondoso, garantia à neta que iria intervir junto à Agaciel Maia para empregar (também por "ato secreto") a figura de Henrique Bernardes, o seu bem-aventurado namorado.

(Para justificar o tráfico de influência, crime previsto em lei, o incrível presidente do Senado, impostando a maior cara-de-pau, assim afrontou a audiência do Plenário desmoralizado e da própria opinião pública nacional: "É claro que não existe o pedido de uma neta - se pudermos ajudar legalmente - que qualquer um de nós deixe de ajudar").

Por sua vez, minutos mais tarde, na mesma casa de tolerância, o presidente do "Conselho de Ética" do Senado, Paulo Duque, ar indiferente de "capo", tendo sido denunciado por manter no seu Gabinete funcionário fantasma (que ganha em Brasília, mas vive no Rio), tergiversou e, na saída da sessão,  depois de arquivar cinco ações encaminhadas contra Zé Sarney (duas delas, por ter mentido de forma deliberada ao Congresso, o que caracteriza quebra de decoro parlamentar), afirmou a um repórter que o entrevero vivido no Senado naquela tarde-noite poderia ser associado ao título de um filme de pistoleiros: "Bang Bang ao anoitecer".

A afirmação de Paulo Duque (um tipo que não conseguiu sequer eleger-se deputado estadual no Rio de Janeiro), por associação, lembrou-me outra, proferida por Al Capone a um dos seus asseclas, durante comemoração mafiosa no Salão de Honra do Hotel Cícero na Chicago dos anos 1930, em louvor ao massacre do dia de São Valentim, planejado pelo gangster. Al Capone queria saber em detalhes como foram metralhados os capangas de Bugs Moran, o rival que estava invadindo seu "território" no contrabando de bebidas.

Segundo relato de John Roeburt, na sua extensa reportagem "Al Capone" (Allied Corporatin, 1949), a descrição do assecla Frank Mônaco foi minuciosa. Ele assegurou ao chefe que o plano funcionara perfeitamente bem:

- "Quando parte do nosso pessoal chegou à garagem da Rua North, vestido de policial e falando como "tira", surpreendeu o bando de Moran conferindo barris de uísque. Eles tomaram um susto, sem saber o que fazer. Mas eu sosseguei o bando dizendo que se tratava apenas de um flagrante de prisão. Então, pedi para que largassem as armas e se voltassem contra a parede, com as mãos levantadas. Eles obedeceram e, aí sim, metralhamos para valer. Em três minutos, cabeças, troncos, braços, pernas estavam picotadas de balas. O armazém ficou parecendo um matadouro".

- "Ah, então foi um abate ao entardecer!" - constatou feliz Al Capone, o chefão da máfia de Chicago.

Como se sabe, Paulo Duque, Renan Calheiros, Collor de Melo, Jader Barbalho, etc., cada um deles são apenas "capo". O "capo di tutti cappi" estava instalado no Trono do Poder, planejando passo a passo, meticulosamente, o massacre político do que se tem como oposição. Lá, no Trono, Lula açulava com empenho especial senadores como Renan Calheiros e Collor de Mello a partir para o jogo bruto na defesa de outro "capo", Zé Sarney, figura que manipula como um trapo velho no desejo supremo de impor à nação, como sua substituta, a "companheira de armas" Dilma Rousseff, caso necessário.

Neste sentido, o próprio Collor de Mello, ainda que solidário à candidatura Dilma, manifestou inteira solidariedade (e a dos pares) à permanência de Lula no poder. No jornal "Valor Econômico", em 05/05/09, ele declarou: "Lula só não terá o 3º mandato se não quiser. Eu não tenho a menor dúvida que (o Congresso) aprova. Aprova, e aprova de uma forma entusiástica".

(De igual modo, com ou sem a candidatura Dilma Rousseff, Zé Sarney, conforme se depreende, parece não se opor ao 3º mandado por razões objetivas: sem o apoio de Lula pouco poderá fazer para manter em liberdade Fernando Sarney, seu filho, indiciado em inquérito na Polícia Federal sob a acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica - isto, para não falar na sua própria condição de presidente do Senado, mantida pela conveniência do "Capo di tutti cappi".

Um fato, no entanto, parece óbvio: com Lula, Dilma Rousseff ou mesmo Zé Serra, o País não mudará um só milímetro. Com Lula, sempre matreiro, rumaremos firmes (na "velocidade de um Volks", segundo Chávez) para o "socialismo do século XXI", visto que, em essência, não passa de uma "cria" de fanáticos intelectuais comunistas (da USP) com os anticristos da Teologia da Libertação e terroristas treinados nas periferias de Havana.

Com Dilma Rousseff, a "transição para o socialismo do século XXI" na certa ganhará a velocidade de uma Ferrari. "Companheira" cuja "biografia" está ligada por um hífen à Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares), movimento clandestino responsável por inúmeros assaltos a bancos e atentados terroristas, a atual chefe da Casa Civil atua com todas as armas para chegar ao poder.

Por exemplo: diante dos escândalos em torno do presidente do Senado e sua família, Dilma declarou, sem o menor constrangimento: "O executivo não tem nada a ver com a crise do legislativo" - assim, desse jeito, como se Lula, com objetivo de limpar caminho para entronizá-la no Palácio do Planalto, não estivesse  por trás de Sarney, Collor e Renan Calheiros. Aliás, neste sentido, quem sabe para manter a família Sarney fora de devassa fiscal, a própria chefe da Casa Civil teria convocado (na Folha, em 09/08/09) a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, para que "agilizasse logo" a fiscalização das empresas do filho de Sarney - interferência que a funcionária da Receita entendeu como claro recado para que a investigação fosse encerrada.

(E, por favor, não duvidem do caráter da "companheira" Dilma: além de consentir a maquiagem do próprio currículo, para atender os arreganhos da repressão ela entregou de bandeja, em janeiro de 1970, Natael Custódio Barbosa, operário de Osasco e "companheiro" de subversão).

Já Zé Serra, em aparência tipo mais confiável, de fato só tem uma obsessão: chegar ao socialismo pela elevação sistemática da carga tributária. Serra acredita como um louco no fisco crescente e impositivo. Com ele no Planalto, seguramente o brasileiro terá de trabalhar mais de sete meses (anuais) só para pagar tributos e encher os cofres oficiais, sob o pretexto utópico de, assim procedendo, "criar uma sociedade mais justa e igualitária", velha aspiração dos tempos em que era "capo" da AP, o movimento clandestino anterior e posterior à queda de Jango.

Resumo da ópera: o que pode fazer a oposição? Não muito, mas que tal começar pela investigação dos superfaturamentos das empresas terceirizadas operantes no Senado? Ou pela convocação de Dilma Rousseff para esclarecer a denúncia de Lina Vieira, a ex-secretária da Receita Federal?

Pode até não dar em nada, mas pelo menos acendem os holofotes.

sábado, 8 de agosto de 2009

Náufrago!

Via blog do Nani.

Lula, o verdadeiro chefe de Renan

Lula, o verdadeiro chefe de Renan

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sábado, 8 de agosto de 2009 | 7:15

Um texto meu de ontem começava assim: “O triste espetáculo a que se assiste no Senado tem um maestro: Luiz Inácio Lula da Silva“. Pois bem, posts abaixo, vocês lerão que Lula — que ontem resolveu exercitar retórica golpista — endossou o comportamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado. Segundo o presidente, quem radicalizou foi a oposição!

Lula endossa, assim, o espetáculo de arrogância, truculência e baixo calão protagonizado por Renan. A coisa não pára por aí. Ele também gostou daquela frase emblemática do seu aliado: a oposição é “minoria com complexo de maioria”. Aprovou o achado. Considera que é isso mesmo. Até o peemedebista achou que tinha exagerado, mas não Lula.  Como já disse aqui, isso revela uma incompreensão básica, essencial, do que é democracia. Por que as palavras são, como disse, emblemáticas? Porque elas sintetizam e desenham o espírito deste governo: maiorias existem para esmagar; minorias, para ser esmagadas.

“Mas não é assim nas democracias?”, pergunta o petralha. Não, não é, não. Os vários fascismos europeus foram regimes de maioria, alguns “de massa”. E, no entanto, não foram democráticos. A democracia supõe a existência e aplicação de valores — e um dos mais sagrados é justamente a proteção aos direitos da minoria, seja na política, seja na sociedade. Bastasse a maioria, as próprias leis seriam inócuas.

Ninguém, na tropa de choque de Renan, tem algo a perder — alguns dos seus soldados nem mesmo têm votos, já que são suplentes. Ele próprio não ambiciona mais ser algo além do que já é. Sabe que, na carreira, chegou ao topo. E conta com a máquina que montou em seu estado para lhe garantir os mandatos. Renan, Collor, Wellington Salgado… Eis a guarda pretoriana de Sarney. São esses monumentos morais que hoje tentam protegê-lo da própria biografia.

Que as oposições resistam à tentação de celebrar um “acordo de convivência” ou coisa que o valha. É muito importante para o país que Renan seja Renan, Collor seja Collor, e Sarney seja Sarney. Porque isso contribui para que Lula seja Lula.

Torço para o confronto continuar e para Sarney não sair daquela cadeira. O embate revela a real natureza daquela gente esquisita, mas também expõe a real natureza do governo Lula e faz um ensaio do que seria um governo Dilma.

Sarney tem de ficar. Mas debaixo de vara.

Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto

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deu em o estado de s.paulo
Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto

De Vera Rosa e Tânia Monteiro:

Preocupado com o agravamento da crise no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou com assessores que o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), resumiu muito bem a percepção do governo sobre as ações de tucanos e democratas no Congresso ao afirmar que a oposição era "minoria com complexo de maioria". A frase de Renan foi dita durante bate-boca no plenário com Tasso Jereissatti (CE), na quinta-feira.

Embora considere "lamentável" a troca de insultos entre os senadores, Lula avalia que os adversários adotam a "tática da muvuca" e agem como se tivessem mais votos. Renan é o chefe da tropa de choque montada para socorrer o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e também já foi apoiado por Lula, em 2007, quando acabou renunciando à presidência do Senado para escapar da cassação.

O governo quer a permanência de Sarney, mas Lula tem seguido à risca a estratégia de não mais mexer nesse vespeiro em público, para evitar desgaste.

Faz exatamente oito dias que o presidente não fala sobre a crise. Na tentativa de evitar que o terremoto político contamine o governo, ministros repetem como um mantra que "a crise é do Senado". Na prática, porém, o Planalto está apreensivo com os efeitos colaterais da febre na Casa presidida por Sarney.

"É triste o que está acontecendo no Senado. A situação se complicou de novo e a temperatura está muito alta", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Lula insiste em que é preciso ajudar Sarney. Depois dos xingamentos de quinta-feira entre Renan e Tasso, no entanto, senadores do PT discutem a possibilidade de ajudar a oposição no Conselho de Ética. Assinante do jornal leia mais em: Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto

O passado assombra o Senado

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Deu na Veja
O passado assombra o Senado

Sarney se une a Renan e a Collor no comando de uma tropa de choque que ameaça e intimida. Se essa trinca prevalecer, as instituições vão regredir décadas e anular avanços duramente conquistados pela sociedade brasileira

De Otávio Cabral:

É comum comparar a história a um trem que sempre avança indiferente aos erros e vacilações dos homens. De um político ou partido que deixa passar uma oportunidade ou ignora o progresso a sua volta diz-se que perdeu o "trem da história".

Apesar de o século XX ter demolido na prática e na teoria as ideias de Karl Marx, muitas sobrevivem como dogmas religiosos, entre elas a de que a marcha da história é inexorável e sua força esmagadora empurra para o futuro todas as formas de organização da sociedade.

No mundo real, os rumos do trem da história dependem muito mais da vontade, dos interesses e das convicções do maquinista. O trem pode estancar e pode até dar marcha a ré. O que se está vendo em Brasília nos dias atuais é uma marcha batida do comboio político rumo ao passado.

Voltam as práticas coronelistas de intimidação, chantagem e produção de dossiês. Volta o "senador biônico", a teratogênica figura do parlamentar sem voto criada pela ditadura militar e agora reencarnada nas figuras dantescas dos parlamentares sem voto - os suplentes.

Seria apenas um escárnio, mas a presença deles no Senado é transubstanciada em deboche quando a qualquer um deles são entregues comissões de assuntos totalmente alheios a sua prática política - caso flagrante atual da Comissão de Ética confiada a um certo Paulo Duque.

Na certeza de que sua popularidade o limpará de toda a sujeira, volta o "presidente teflon", pronto a adular por comodismo e excesso de esperteza as forças políticas mais retrógradas, clientelistas, fisiológicas e corruptas do país. Volta o topa tudo por dinheiro. Voltam José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros, que, fosse mesmo a história um trem-bala disparando rumo ao futuro, já teriam desembarcado no século passado. Pois não é que são hoje os maquinistas da composição?

A cena do presidente do Congresso, senador José Sarney, deixando o plenário ladeado por Fernando Collor e Renan Calheiros - seus dois mais novos e fiéis aliados - é o símbolo mais evidente desse processo de volta ao passado.

Sarney, um político de biografia controversa, transferiu a faixa presidencial a Fernando Collor de Mello, em 1990, depois de humilhado por ele na campanha presidencial. Collor se referia a ele como ladrão e corrupto. Essas eram as ofensas menores.

Em 1992, a inversão: Sarney participou ativamente do processo de impeachment de Collor, afastado da Presidência exatamente por corrupção. O terceiro personagem, o senador Renan Calheiros, é aquele ex-líder de Collor, que depois abandonou o governo denunciando o ex-chefe por... corrupção. Em 2007, foi a vez de Renan renunciar à presidência do Senado, acusado, entre outras coisas, de... corrupção.

O fato de os três terem acertado em cheio no julgamento que faziam uns dos outros no passado se soma agora ao fato de estarem juntos do mesmo lado. Nada mais natural. O que não é natural é eles estarem no comando da vida parlamentar brasileira. Os três são peças essenciais para entender o atual processo de mortificação do Congresso.

Assinante da revista leia mais em O passado assombra o Senado