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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Documento prova favor de empreiteira à família Sarney

deu em o estado de s.paulo
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Documento prova favor de empreiteira à família Sarney

Aracati pagou apartamento à vista para depois, segundo ela, revendê-lo em prestações ao deputado Zequinha Sarney

De Rodrigo Rangel:

Documentos obtidos pelo Estado comprovam o favor prestado pela empreiteira Aracati - hoje Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria - à família do presidente do Congresso, o senador José Sarney (PMDB-AP). Os comprovantes da transação mostram que a Aracati comprou à vista pelo menos um dos apartamentos usados pelos filhos e netos de Sarney nos Jardins, em São Paulo.

No mínimo, a empresa fez ao deputado um grande favor: comprou o apartamento à vista e, depois, o repassou a José Sarney Filho (PV-MA) em condições facilitadas. Pela versão do deputado e da Aracati, a própria empreiteira teria dividido o pagamento em prestações - Zequinha Sarney não precisou de financiamento nem de intermediação de qualquer instituição financeira. O dono da empresa é Rogério Frota de Araújo, amigo dos filhos do senador Sarney.

Os documentos atestam que a Aracati pagou R$ 270 mil pelo imóvel, por meio de duas transferências bancárias, efetuadas em 20 de fevereiro de 2006, data em que a empreiteira assinou a escritura.

O Estado revelou em 16 de agosto que dois dos três apartamentos usados pela família em São Paulo, no Solar de Vila América, na Alameda Franca, estão registrados em nome da empreiteira. Na ocasião, Zequinha assumiu ser o proprietário de fato de um dos dois apartamentos comprados pela Aracati.

O imóvel - adquirido em 2006, mas até hoje registrado em nome da empresa - serve a um dos filhos do deputado, Gabriel, que estuda na cidade de São Paulo. O segundo apartamento, comprado pela Aracati no mesmo período, já hospedou o próprio senador Sarney.

A comprovação de que a empresa pagou à vista o apartamento número 22, de Zequinha, lança dúvidas sobre as explicações apresentadas pelos Sarney após a reportagem do Estado. À época, em nota, Zequinha declarou ter comprado o apartamento da Aracati por meio de um instrumento particular de compra e venda, também conhecido como "contrato de gaveta". Ele afirmou estar pagando o imóvel à empreiteira até hoje. Em discurso no plenário do Senado, Sarney repetiu os argumentos do filho.

Zequinha se negou a informar as condições do negócio. A empreiteira, em nota, repetiu a versão do deputado, mas também não apresentou documentos da suposta transação. Procurada novamente, ontem a empresa informou que não dará mais informações sobre o assunto. Apesar de o apartamento não estar em seu nome, Zequinha o incluiu em sua declaração de Imposto de Renda deste ano.

Além dos dois apartamentos adquiridos em 2006 pela Aracati, a família possui a unidade de número 82, comprada em 1979. Leia mais em: Documento prova favor de empreiteira à família Sarney

sábado, 22 de agosto de 2009

Flávio Arns: 'A bancada do PT está sendo humilhada'

Flávio Arns: 'A bancada do PT está sendo humilhada'

De malas prontas para deixar o PT , o senador Flávio Arns (PR) fez nesta quinta-feira uma avaliação de seus oito anos no partido. Para ele, o PT se transformou com a necessidade de continuar no poder e hoje só enxerga um objetivo: a eleição presidencial de 2010.

Em reportagem de Gerson Camarotti publicada na edição desta sexta-feira do GLOBO, Arns diz que entendeu como um rebaixamento o fato de senadores do partido terem sido obrigados pelo Planalto a votar pelo arquivamento das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética.

Ligado aos movimentos sociais - Arns é sobrinho do cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, e da coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns -, ele também rebateu as críticas de petistas de que ele deixará o partido porque necessita de votos para renovar o mandato ano que vem. E, em resposta ao presidente Lula, admitiu dificuldade de relacionamento com o governo nestes anos em questões administrativas. Mas diz que, agora, o problema é de princípios. Leia mais em: Flávio Arns: 'A bancada do PT está sendo humilhada'

A renúncia de Mercadante da liderança do PT

A renúncia de Mercadante da liderança do PT

De Gerson Camarotti, Adriana Vasconcelos e Chico de Gois:

Enfraquecido e isolado no governo e no PT, o líder da bancada e do bloco governista no Senado, Aloizio Mercadante (SP), usou nesta quinta-feira sua página no Twitter para anunciar, de novo, a decisão "em caráter irrevogável" de deixar o cargo, e marcou até hora para um discurso.

Mas adiou o ato para hoje, depois que aceitou o apelo do ministro das Relações Institucionais, José Múcio (PTB), para, antes, conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio oficial deve ser feito num pronunciamento na manhã desta sexta-feira, no plenário.

Enquanto isso, Lula já trabalha o nome do substituto de Mercadante: o senador de primeiro mandato João Pedro (PT-AM), que assumiu como suplente de Alfredo Nascimento (PR).

O presidente não queria conversar com Mercadante. Segundo a coluna "Panorama Político" de Ilimar Franco, o presidente demonstrou irritação com a reunião. "Não adianta. Para que conversar mais?", questionou Lula.

Durante a viagem ao Rio Grande do Norte, Lula ainda perguntou ao líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), e ao senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) como estava o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Agora é hora de vida nova no Senado", disse o presidente. Leia mais em: Mercadante anuncia renúncia da liderança do PT nesta sexta. Planalto já trabalha pela nomeação de João Pedro

Nomeações ligam gabinete de Sarney aos atos secretos

deu na folha de s.paulo
Nomeações ligam gabinete de Sarney aos atos secretos

Sócia de neta do presidente do Senado afirma ter recebido avisos de servidores dele nas duas vezes em que foi nomeada

Zenicéia Silva de Assis diz que, devido a problemas financeiros, pediu emprego ao filho do senador, mas nunca assumiu os cargos

De Hudson Corrêa e Leonardo Souza:

Sócia de uma das netas do senador José Sarney (PMDB-AP), Zenicéia Silva de Assis, 41, foi nomeada duas vezes para cargos no Senado por meio de atos secretos. Questionada pela Folha, que obteve cópia desses documentos, a empresária contou que havia pedido emprego a Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, e que foi avisada das duas nomeações por servidores que trabalham no gabinete de Sarney.

O caso de Zenicéia é o primeiro a ligar diretamente o gabinete de Sarney aos atos secretos. Nos anteriores, ou não havia provas de ligação com Sarney ou este dizia que as contratações, mesmo que beneficiassem seus parentes, tinham acontecido sem seu conhecimento e eram de responsabilidade de terceiros, notadamente o ex-diretor-geral Agaciel Maia. Foi o argumento, por exemplo, usado por ele para se eximir de culpa pela nomeação do namorado de outra neta.

"Os assessores do presidente Sarney me avisaram das nomeações", disse Zenicéia. E deu os nomes: Francisco Lima Júnior (chefe de gabinete do senador), Maria Vandira Peixoto (secretária), Wanderley Ferreira de Azevedo (ajudante de ordem) e Aluísio Guimarães (segurança até abril).

"Quando eu me encontrava com o Fernando [Sarney] e com a Adriana [neta do senador], falava: poxa, me ajuda, arruma alguma coisa para eu fazer. Sempre pedia: se aparecer uma vaga, me arruma", disse. A revelação da existência de nomeações por atos secretos que tinham o conhecimento do gabinete de Sarney pode reacender a crise no Senado.

Anteontem, graças a uma manobra que contou com o apoio do presidente Lula e os votos do PT, todas as acusações contra o senador foram engavetadas pelo Conselho de Ética. Sarney falou que a situação estava "normalizada" e que "ultrapassamos uma fase". Assinante do jornal leia mais em: Nomeações ligam gabinete de Sarney aos atos secretos

Arquivo X? Não. Em Brasília tem Arquivo S, com S de Sarney

 

Arquivo X? Não. Em Brasília tem Arquivo S, com S de Sarney

Deu no Blog EARAMOS6

Mutretas paranormais? Reuniões que acontecem e desaparecem? Discos rígidos voadores? Manda arquivar e não se fala mais nisso.

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Uma produção de ERAMOS 6.

Sublegenda

editorial de o globo
Sublegenda

O petista militante, e de bons propósitos, deve achar que quarta-feira 19 de agosto de 2009 é um dia para esquecer. Nesta data, ao ser cúmplice ativo - a contragosto ou não, o que não tem importância - da manobra no Conselho de Ética (sic) do Senado para engavetar sem qualquer avaliação representações contra José Sarney (PMDB-MA), o partido rasgou o que restava da bandeira da ética.

Sugestivamente, como para marcar posição, a senadora Marina Silva (AC) escolheu esse mesmo dia para se desfilar do partido, ao qual pertenceu durante 30 anos. Desiludida há tempos com os compromissos ambientais do governo Lula, a que serviu como ministra durante cinco anos, Marina também era favorável ao licenciamento de Sarney, e por isso abrira mais uma rota de colisão com o Planalto.

No momento em que Sarney e a banda fisiológica do PMDB entraram por uma porta para a zona de proteção do PT, Marina saiu por outra, rumo ao PV e à provável candidatura à presidência. Será mais um obstáculo ao projeto eleitoral de Dilma Rousseff, com quem se desentendeu no governo.

Também abandonou a legenda o senador Flávio Arns (PR). Não precisou esperar o fim da sessão do conselho de sagração da inimputabilidade de Sarney para anunciar a partida, sem medir palavras : "Eu me envergonho de estar hoje (quarta) no PT".

Não são mesmo lembranças agradáveis a petistas. Mas o dia jamais será esquecido, por representar o desfecho de um processo até mesmo histórico. O enquadramento da bancada do partido no Senado por Lula, na defesa de seu projeto político, eleitoral e pessoal de eleger Dilma com o apoio do PMDB - e para isso acha necessário preservar Sarney a qualquer custo -, encerra um movimento de mudança de eixo do partido, que se subordina afinal ao lulismo.

O primeiro sinal mais visível da metamorfose do partido, assim como de seu líder máximo, foi emitido no escândalo do mensalão e, depois, na campanha de 2006, no caso dos "aloprados". Diante da ação de um grupo montado no PT para drenar dinheiro ilegal, inclusive público, para a compra de apoio parlamentar, Lula reagiu tentando justificar a prática sob a alegação de que ela seria comum no mundo da política.

Também não deixou de passar a mão sobre a cabeça dos "aloprados" - termo dele -, apanhados numa operação criminosa de tentativa de sabotagem da candidatura do tucano José Serra ao governo paulista.

Lula e PT se guiam, no poder, pela máxima de que "os fins justificam os meios". Fiel a ela, governo e frações majoritárias do partido aceitaram, no segundo mandato de Lula, instalar um balcão mais amplo de negociações fisiológicas no Congresso. Mantiveram aliados e atraíram a banda podre do PMDB. Garantiram votos, mas soterraram de vez o velho PT da defesa da ética na política.

O PT se metamorfoseou, como seu líder supremo, nivelou-se a qualquer das legendas que se preocupam apenas com a proximidade do poder e acesso ao Tesouro. Fez a opção de ser apenas uma sublegenda do lulismo.

Editorial de O Globo, dia 21 de agosto de 2009

Lula tirou o bigode de Mercadante

Lula tirou o bigode de Mercadante

De que tipo de material é feito um político como Aloizio Mercadante - e tantos outros semelhantes a ele?

Nenhum dos seus colegas, ninguém do governo, representante algum do que o PT gosta de chamar de "mídia golpista" sugeriu sua renúncia ao cargo de líder do PT depois de o PT ter ajudado a manter José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado.

Mercadante havia se exposto durante semanas cobrando o afastamento de Sarney. De princípio, teve o respaldo de sete dos seus 11 colegas. Bastou uma prensa dada por Lula para que parte dos sete amarelasse e desse o dito pelo não dito.

Candidato à reeleição para o Senado, Mercadante viu que ficaria mal com seus eleitores se mesmo assim se prestasse a fingir que lidera quem de fato só obedece às ordens de Lula.

Consultou amigos, parentes e assessores e ontem, por meio do seu twitter, declarou que renunciava ao cargo de líder de maneira "irrevogável". Explicaria seu gesto à Nação em discurso que faria à tarde.

O ministro José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, telefonou para Mercadante e lhe pediu que só formalizasse a renúncia depois de conversar com Lula.

No início da noite, a maioria dos sites de notícias dava conta do grau de disposição de Lula para tentar manter Mercadante no cargo. Grau zero.

O chefe estava furioso com Mercadante. Não via necessidade de conversar com ele. Decidira não lhe fazer apelo algum. E já escolhera o seu sucessor - o fiel João Pedro, senador sem votos pelo Amazonas, amigo de longa data de Lula e companheiro de animados banhos em igarapés.

Mesmo assim Mercadante foi ao encontro de Lula. Só foi recebido depois de uma hora de chá de cadeira. Saiu de lá com a desculpa que queria para renunciar à renúncia: uma carta onde Lula pede para que ele fique.

A carta deu o mote para que Mercadante, hoje, proclamasse, solene, em discurso no Senado:

- Mais uma vez na minha vida, o presidente Lula me deixa numa situação que não tenho como dizer não.

Que situação foi essa?

Lula reconheceu que errou ao pressionar a bancada do PT para votar afavor de Sarney?

É claro que não.

Lula garantiu que daqui para frente a bancada do PT terá autonomia para decidir sozinha como votar determinadas questões?

Também não.

Lula pelo menos admitiu que a bancada do PT no Senado, em casos excepcionais, poderá contrariar sua vontade?

Novamente não.

Então Mercadante ficou no cargo por quê?

Porque faltou-lhe coragem para seguir fingindo que era um político de posições firmes, para o qual há sempre um limite que não pode ser ultrapassado sob pena de se desmoralizar de vez. De ficar parecido com a maioria dos seus pares do PT que se acocorou.

Lula preservou o bigode de Sarney e tirou o de Mercadante.

Para o avanço da transparência entre nós foi melhor assim.

'Não me sinto culpado de nada' diz Sarney

'Não me sinto culpado de nada' diz Sarney

José Sarney (PMDB-AP) deu entrevista exclusiva à Globo News. Ele reafirmou que não vai deixar o cargo e que não se sente pressionado.

Do G1:

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reafirmou nesta sexta-feira (21) que não pensa em deixar o cargo e que não se sente culpado de nada."Não posso deixar [o cargo] porque não me deram nenhuma saída que não de cumprir o meu dever até o fim," disse em entrevista exclusiva à Globo News.

"No dia em que os colegas, a maioria dos colegas do Senado chegar e me destituirem, muito bem. Eles me elegeram, podem me destituir," completou. Ele negou sentir qualquer tipo de pressão para deixar o cargo. "Não existe pressão porque eu não me sinto culpado de nada. Eu estou procurando servir ao país. Estou procurando ajeitar essa casa. Estou pagando por isso. Eu vou continuar até o fim. Não tenha dúvida," afirmou.

Leia mais em 'Não me sinto culpado de nada' diz presidente do Senado

Líderes discutem "cassar" poder do Conselho de Ética

deu na folha de s.paulo
Líderes discutem "cassar" poder do Conselho de Ética

Decisão sobre perda de mandato caberia ao STF; ao colegiado restaria propor penas leves

Partidos da oposição e da base apoiam mudanças; a extinção do órgão no Senado é defendida por grupo que inclui Sarney

De Letícia Sander e Andreza Matais:

Os líderes dos partidos no Senado discutem alterar as regras do Conselho de Ética de forma que o órgão não possa mais sugerir cassação de mandato de senadores. Eles defendem que essa punição seja aplicada apenas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O conselho poderia propor penas mais leves, como advertência ou suspensão temporária do mandato.

A mudança tem o apoio de governo e oposição e ocorre no momento em que senadores de ambos os lados enfrentam denúncias que poderiam resultar em abertura de processo por perda de mandato.

Há quem defenda a extinção do órgão. Para esses, que têm o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), como porta-voz, o Judiciário é que tem isenção para julgar congressistas, mesmo no campo ético.

"Muitas vezes, os membros do Conselho de Ética se sentem desconfortáveis tendo de julgar os seus próprios colegas, numa violência à consciência ou às normas jurídicas. Transforma-se num tribunal partidário, em que cada partido tem que usar a norma de "ação versus reação'", escreveu Sarney em artigo publicado na Folha ontem.

Na última quarta, foram engavetados 11 pedidos de investigação contra Sarney e um contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). A representação contra o tucano foi apresentada depois que ele assinou seis denúncias para investigar Sarney, num exemplo prático do que o peemedebista chamou de "ação versus reação". Assinante do jornal leia mais em: Líderes discutem "cassar" poder do Conselho de Ética

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bonavides: corrupção ameaça instituições

Deu no Blog do Cláudio Humberto: O jurista, que é muito respeitado, adverte para a minoria congressual que ameaça o País "O Brasil está navegando, perigosamente, em um oceano de corrupção, com o barco em águas revoltas. Estamos fazendo essa funesta travessia que pode significar a derrocada das instituições". A afirmação foi feita hoje (20) pelo renomado constitucionalista e prêmio Ruy Barbosa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Paulo Bonavides, ao analisar a crise pela qual o país vem passando nos últimos meses. "Essa minoria congressual está pondo em grave risco a inteireza das instituições do país em razão do mergulho na corrupção, na desconsideração do interesse público, no nepotismo, na ignorância e desprezos aos cânones da Constituição, promovendo um processo de desagregação e degradação do sistema representativo". Segundo ainda Paulo Bonavides, os últimos acontecimentos são graves indicativos de que o país afundou na crise constituinte. "Esta crise significa uma erupção institucional que compromete por inteiro o por vir da democracia representativa deste país".Para o jurista, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente do Senado, José Sarney, devem ouvir o rumor das ruas e buscar redirecionar o pais para o respeito à Constituição que tem a chave e a fórmula para todos os problemas. "Quando se fala em reforma política em verdade isto tem significado uma manobra diversionista daqueles que, por meios paliativos, acham possível manter esse quadro de inquietação de que nos precipita na desordem cívica, afirmou Bonavides. E continua na sua veemente crítica à omissão dos dirigentes dos três Poderes: "a responsabilidade é máxima, é extrema do presidente da República, do presidente do Senado e do presidente do Supremo Tribunal Federal, como guarda da Constituição e como cabeça do Poder Judiciário.

domingo, 16 de agosto de 2009

A Máfia de Brasília

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A Máfia de Brasília

Deu no Mídia sem Máscara

Ipojuca Pontes | 11 Agosto 2009
Artigos - Governo do PT

Como se sabe, Paulo Duque, Renan Calheiros, Collor de Melo, Jader Barbalho, etc., cada um deles são apenas "capo". O "capo di tutti cappi" estava instalado no Trono do Poder, planejando passo a passo, meticulosamente, o massacre político do que se tem como oposição.

Zé Sarney, impostado como a cor do bigode pintado de acaju, colarinho branco asfixiando o pescoço, apontou na tela do "power point" uma lista de nomes contemplados pelo regime do nepotismo selvagem vigente no Senado, e disse:

- Rodrigo Cruz. Também não sei quem é.

Semanas antes, Sarney tinha sido padrinho de casamento de Rodrigo Cruz, genro de Agaciel Maia - uma sua "cria" na direção-geral do Senado - que fora contemplado em "ato secreto" com uma boca-rica no Senado da República. O próprio presidente do Senado, "padrinho de casamento", deixara-se fotografar ao lado do apadrinhado, ar solene e testemunhal. (No outro dia, acuado, Sarney disse que referia a um "outro" Rodrigo, e não "aquele" Rodrigo, mas o PSOL, em nota, reafirmou que o presidente do Senado, "estava mentindo".

Por outro lado, semana antes, Sarney tinha negado seu envolvimento ou responsabilidade no que diz respeito à suspeição do desvio de verbas de patrocínio cultural da Petrobras (no valor de R$ 500 mil) dentro da Fundação que carrega seu nome, visto, segundo ele, ter delegado poderes administrativos a terceiros. Por baixo do pano, no entanto, na qualidade de Presidente de Honra da Fundação, pressionava, como presidente do Senado, o Ministro da Cultura, por bilhete, objetivando a rápida tramitação do projeto cultural  - que, de resto, nunca foi executado.

Logo depois da denúncia da fraude levantada pelo "Estadão", mais de 90 milhões de brasileiros  tinham tomado conhecimento, no  "Jornal Nacional", de gravação feita pela Polícia Federal em que Zé Sarney, em conversa telefônica, muito bondoso, garantia à neta que iria intervir junto à Agaciel Maia para empregar (também por "ato secreto") a figura de Henrique Bernardes, o seu bem-aventurado namorado.

(Para justificar o tráfico de influência, crime previsto em lei, o incrível presidente do Senado, impostando a maior cara-de-pau, assim afrontou a audiência do Plenário desmoralizado e da própria opinião pública nacional: "É claro que não existe o pedido de uma neta - se pudermos ajudar legalmente - que qualquer um de nós deixe de ajudar").

Por sua vez, minutos mais tarde, na mesma casa de tolerância, o presidente do "Conselho de Ética" do Senado, Paulo Duque, ar indiferente de "capo", tendo sido denunciado por manter no seu Gabinete funcionário fantasma (que ganha em Brasília, mas vive no Rio), tergiversou e, na saída da sessão,  depois de arquivar cinco ações encaminhadas contra Zé Sarney (duas delas, por ter mentido de forma deliberada ao Congresso, o que caracteriza quebra de decoro parlamentar), afirmou a um repórter que o entrevero vivido no Senado naquela tarde-noite poderia ser associado ao título de um filme de pistoleiros: "Bang Bang ao anoitecer".

A afirmação de Paulo Duque (um tipo que não conseguiu sequer eleger-se deputado estadual no Rio de Janeiro), por associação, lembrou-me outra, proferida por Al Capone a um dos seus asseclas, durante comemoração mafiosa no Salão de Honra do Hotel Cícero na Chicago dos anos 1930, em louvor ao massacre do dia de São Valentim, planejado pelo gangster. Al Capone queria saber em detalhes como foram metralhados os capangas de Bugs Moran, o rival que estava invadindo seu "território" no contrabando de bebidas.

Segundo relato de John Roeburt, na sua extensa reportagem "Al Capone" (Allied Corporatin, 1949), a descrição do assecla Frank Mônaco foi minuciosa. Ele assegurou ao chefe que o plano funcionara perfeitamente bem:

- "Quando parte do nosso pessoal chegou à garagem da Rua North, vestido de policial e falando como "tira", surpreendeu o bando de Moran conferindo barris de uísque. Eles tomaram um susto, sem saber o que fazer. Mas eu sosseguei o bando dizendo que se tratava apenas de um flagrante de prisão. Então, pedi para que largassem as armas e se voltassem contra a parede, com as mãos levantadas. Eles obedeceram e, aí sim, metralhamos para valer. Em três minutos, cabeças, troncos, braços, pernas estavam picotadas de balas. O armazém ficou parecendo um matadouro".

- "Ah, então foi um abate ao entardecer!" - constatou feliz Al Capone, o chefão da máfia de Chicago.

Como se sabe, Paulo Duque, Renan Calheiros, Collor de Melo, Jader Barbalho, etc., cada um deles são apenas "capo". O "capo di tutti cappi" estava instalado no Trono do Poder, planejando passo a passo, meticulosamente, o massacre político do que se tem como oposição. Lá, no Trono, Lula açulava com empenho especial senadores como Renan Calheiros e Collor de Mello a partir para o jogo bruto na defesa de outro "capo", Zé Sarney, figura que manipula como um trapo velho no desejo supremo de impor à nação, como sua substituta, a "companheira de armas" Dilma Rousseff, caso necessário.

Neste sentido, o próprio Collor de Mello, ainda que solidário à candidatura Dilma, manifestou inteira solidariedade (e a dos pares) à permanência de Lula no poder. No jornal "Valor Econômico", em 05/05/09, ele declarou: "Lula só não terá o 3º mandato se não quiser. Eu não tenho a menor dúvida que (o Congresso) aprova. Aprova, e aprova de uma forma entusiástica".

(De igual modo, com ou sem a candidatura Dilma Rousseff, Zé Sarney, conforme se depreende, parece não se opor ao 3º mandado por razões objetivas: sem o apoio de Lula pouco poderá fazer para manter em liberdade Fernando Sarney, seu filho, indiciado em inquérito na Polícia Federal sob a acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica - isto, para não falar na sua própria condição de presidente do Senado, mantida pela conveniência do "Capo di tutti cappi".

Um fato, no entanto, parece óbvio: com Lula, Dilma Rousseff ou mesmo Zé Serra, o País não mudará um só milímetro. Com Lula, sempre matreiro, rumaremos firmes (na "velocidade de um Volks", segundo Chávez) para o "socialismo do século XXI", visto que, em essência, não passa de uma "cria" de fanáticos intelectuais comunistas (da USP) com os anticristos da Teologia da Libertação e terroristas treinados nas periferias de Havana.

Com Dilma Rousseff, a "transição para o socialismo do século XXI" na certa ganhará a velocidade de uma Ferrari. "Companheira" cuja "biografia" está ligada por um hífen à Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares), movimento clandestino responsável por inúmeros assaltos a bancos e atentados terroristas, a atual chefe da Casa Civil atua com todas as armas para chegar ao poder.

Por exemplo: diante dos escândalos em torno do presidente do Senado e sua família, Dilma declarou, sem o menor constrangimento: "O executivo não tem nada a ver com a crise do legislativo" - assim, desse jeito, como se Lula, com objetivo de limpar caminho para entronizá-la no Palácio do Planalto, não estivesse  por trás de Sarney, Collor e Renan Calheiros. Aliás, neste sentido, quem sabe para manter a família Sarney fora de devassa fiscal, a própria chefe da Casa Civil teria convocado (na Folha, em 09/08/09) a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, para que "agilizasse logo" a fiscalização das empresas do filho de Sarney - interferência que a funcionária da Receita entendeu como claro recado para que a investigação fosse encerrada.

(E, por favor, não duvidem do caráter da "companheira" Dilma: além de consentir a maquiagem do próprio currículo, para atender os arreganhos da repressão ela entregou de bandeja, em janeiro de 1970, Natael Custódio Barbosa, operário de Osasco e "companheiro" de subversão).

Já Zé Serra, em aparência tipo mais confiável, de fato só tem uma obsessão: chegar ao socialismo pela elevação sistemática da carga tributária. Serra acredita como um louco no fisco crescente e impositivo. Com ele no Planalto, seguramente o brasileiro terá de trabalhar mais de sete meses (anuais) só para pagar tributos e encher os cofres oficiais, sob o pretexto utópico de, assim procedendo, "criar uma sociedade mais justa e igualitária", velha aspiração dos tempos em que era "capo" da AP, o movimento clandestino anterior e posterior à queda de Jango.

Resumo da ópera: o que pode fazer a oposição? Não muito, mas que tal começar pela investigação dos superfaturamentos das empresas terceirizadas operantes no Senado? Ou pela convocação de Dilma Rousseff para esclarecer a denúncia de Lina Vieira, a ex-secretária da Receita Federal?

Pode até não dar em nada, mas pelo menos acendem os holofotes.

sábado, 8 de agosto de 2009

Agenda de um senador em estágio de decomposição

Por comiseração, ninguém disse em voz alta, mas o Sarney virou um cadáver político. Refugiara-se nas brumas do recesso certo de que a fornalha da crise esfriaria. A encrenca não tirou férias, contudo. Continuou crepitando nas manchetes. A presidência de Sarney, que já não cheirava bem, entrou em estado de putrefação.

Político de sete fôlegos, Sarney não é um defunto estreante. Fenecera outras vezes. Como nas vezes anteriores, a morte lhe chega pontualmente, na hora incerta. Sarney parecia condenado a uma posteridade bem superior à que merecera em vida. Se houvesse se dado conta do momento, Sarney teria economizado muito tempo.

Imaginou que poderia refazer a sua hora. Vê-se agora compelido a cuidar dos minutos. Em vez de ponteiros, o relógio de Sarney tem espadas. Para ele, o tempo não passa. Já passou. Envolto em anormalidade, Sarney condenou-se a uma agenda de paranormal. Nos próximos dias, sua rotina deve ser assim:

6h- Sobre o criado-mudo, o despertador grita mais alto do que os soníferos que Sarney tomara na noite da véspera.

6h10- Sarney deixa-se ficar sobre a cama. Deleita-se com a idéia de que a morte é uma das poucas coisas que se pode fazer deitado.

6h15- Sarney entrega-se a reflexões lúgubres. Sempre acreditara na vida eterna. Só não dispunha do endereço. Imaginara que passasse pela presidência no Senado. Ilusão.

6h30- Após relutância de meia hora, Sarney se levanta do túmulo de sua mediocridade existencial.

6h35- Sarney tateia a parede. Procura o interruptor. Não é fácil achar o botão da luz depois de morto. Arrasta os chinelos até o banheiro.

6h40- Sarney faz xixi.

6h45- Sarney se olha no espelho. Dá de cara com a crise. É diante do testemunho irrefutável do reflexo que Sarney é mais profundamente Sarney. Ele diz para sua imagem: Eu não estava farto da vida. Ela é que se fartou de mim.

7h- Sarney veste seu terno de vidro.

7h30- Sarney vai à mesa do café. Aguarda-o uma solitária tigela de inhame. Assusta-se com a aparência fálica do tubérculo. Refuga-o. Opta por jejuar.

8h- O motorista do Senado chega. Exige que Sarney vá no banco da frente.

8h10- O rádio do carro oficial cospe na cara de Sarney o penúltimo grampo vazado do inquérito da PF. O chofer aumenta o volume.

8h30- Sarney chega ao Senado. Da porta de entrada ao elevador de autoridades, percorre 75 metros de repórteres. Vai renunciar? Sorri um riso de Monalisa. E silencia.

8h40- O ascensorista sonega o bom-dia ao senador-zumbi. Cenho crispado, ele mente para Sarney: “O elevador está enguiçado”.

8h50- Pelas escadas, Sarney alcança o Salão Azul do Senado. Arrasta atrás de si uma fieira de jornalistas. Toma o rumo do gabinete. Tropeça num dos escândalos mal escondidos sob o tapete fofo. Cai. Ouvem-se risos. Levanta. Mais risos.

8h55- Sarney chega à sala da presidência. Com o bico do sapato de cromo alemão, afasta o lixo que se acumula na frente da porta. Entra.

9h- Sarney pede à secretária que lhe providencie um cafezinho.

9h10- Sarney folheia os jornais do dia. Pula as primeiras páginas. Salta os cadernos de política. Passa batido pelos obituários. Estaciona o olhar nos classificados de empregos.

9h40- Sarney recolhe um maço de papéis sobre a mesa. Rosna para a cópia da nota em que o Mercadante pedira que se afastasse. Festeja um convite para paraninfo da formatura da primeira turma de ensino à distância da faculdade da família do suplente Wellington Salgado.

10h- Sarney recebe a visita de Renan Calheiros, cuja companhia tornou-se o pior tipo de solidão. Eles passam em revista a conjuntura. Renan conclui: Durante o recesso, o complô da mídia fez barba, cabelo e bigode. Sem trocadilho.

10h30- Sarney discute com Renan a estratégia para abater em pleno vôo as 11 denúncias protocoladas no Conselho de (a)Ética.

11h- Trancado em seus rancores, Sarney desperdiça o tempo vago dedilhando no computador trechos do novo romance que decidiu escrever: Moribundo de Fogo (com trocadilho, por favor).

14h- Sarney ouve pelo serviço de som a voz que vem do plenário: “Está aberta a sessão”. Só então se dá conta de que, entretido com o romance, esquecera-se de almoçar. Dá de ombros. A ruminação das amarguras o saciara.

14h10- Improvisado na presidência da sessão, Mão Santa anuncia o primeiro orador da tarde. Da tribuna, Pedro Simon reitera o pedido de renúncia do presidente. Sarney sobe pelas paredes. Ao bater no teto, arranca a caixa que derrama o som do plenário em sua sala.

15h- Envolto em silêncio ensurdecedor, Sarney priva seus tímpanos do segundo discurso do dia. Eduardo Suplicy ecoa a nota de Mercadante: O afastamento voluntário seria um gesto de grand... Do microfone de apartes, Jarbas Vasconcelos atalha o colega: Não se deve esperar grandeza de quem se rendeu à baixeza.

16h- A secretária avisa Sarney sobre a chegada da comitiva de suplentes de vereadores que viera de Macapá para lhe hipotecar apoio. Mande entrar os 15, ele ordena, sôfrego. E a secretária: Só veio um. Sarney cancela a audiência. Alega que precisa conduzir as votações em plenário.

16h15- Sarney chega ao plenário. Mão Santa lhe cede a cadeira. Presentes apenas meia dúzia de gatos pingados. Sarney anuncia que, por evidente falta de quorum, as votações ficam adiadas.

16h20- Sarney devolve a cadeira a Mão Santa. Antes de deixar o plenário ouve o início de um discurso desaforado de Arthur Virgílio. Faz ouvidos moucos. E resmunga para si mesmo: Roto, grande *#~§¢%¬.

16h30- Sarney refugia-se, de novo, na casamata da presidência.

17h- Com oito horas de atraso, o garçom serve a Sarney o cafezinho que ele encomendara, pela manhã, à secretária. Sarney leva a xícara aos lábios. O café está gelado.

18h- Entre abespinhado e desacorçoado, Sarney decide voltar para casa. Salão Azul, escadas, porta de saída...

18h15- Sarney procura o carro oficial. E nada. O porteiro informa que seu motorista fora buscar a mulher no cabeleireiro. Oferece ao pseudopresidente um Fiat Mille do Senado. Sarney se dá conta de que, antes mesmo de renunciar, foi renunciado.

18h20- Sarney decide tomar um táxi. Leva a mão direita ao rosto. Tenta esconder o bigode. O taxista reconhece o inconfundível. E estranha o gesto: É dor de dente, presidente? E Sarney, lacônico: Hum, hum...

Escrito por Josias de Souza às 15h25

Náufrago!

Via blog do Nani.

Guerra de extermínio prossegue

do Blog do Noblat

Enviado por Ruy Fabiano

Guerra de extermínio prossegue

Confirmou-se, no curso da semana, o que se previa como tendência pós-recesso no Senado: a guerra de extermínio moral e político entre os senadores. O mais grave é que o que cada qual diz a respeito do outro – e são acusações cada vez mais cabeludas - encontra fundamento nos fatos. Não parece haver inocentes a bordo.

Diante da multiplicidade de desacertos, diariamente noticiados pela mídia, mostra-se efetivo o diagnóstico do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que considera que todos, sem exceção, pecaram: uns pela ação, outros pela omissão. Ele estaria no segundo caso.

O presidente da OAB, Cezar Britto, lamenta não haver à disposição da sociedade um instrumento legal como o recall, que permite, por iniciativa popular, a revogação dos mandatos. Uma espécie de “deseleição”, quando o parlamentar quebra o decoro ou descumpre suas obrigações e compromissos.

Há uma proposta nesse sentido, em tramitação na Câmara dos Deputados, encaminhada pela própria OAB, há dois anos. Sequer foi examinada. Diante disso, mesmo sabendo que não será atendida, a entidade dos advogados, que tem presença histórica nas crises institucionais do país, faz uma proposta inédita: a renúncia coletiva dos senadores. Não se trata de engrossar o coro dos que pedem a extinção do Senado. A OAB quer a sobrevivência da instituição, que considera pilar do equilíbrio federativo.

É exatamente para preservá-la que quer a renúncia de todos e convocação imediata de eleições, sem esperar 2010. É claro que tal proposta, que exigiria uma série de providências legais suplementares, que mexeriam na própria Constituição, tem mais o objetivo de sublinhar a gravidade dos fatos que propriamente corrigi-los. Um terço dos senadores tem mandato até 2014. Outros são suplentes cuja renúncia não afetaria o titular do mandato.

Além disso, renúncia é ato unilateral de vontade, que não pode ser imposta. Mas o que a OAB quer frisar é que a crise antecipou o fim da atual legislatura. “A sociedade já impôs o “recall moral” aos senadores, renunciem ou não”, diz Britto.

O jogo político, porém, continua. A crise do Senado precipitou também o calendário sucessório. Num duelo em que não há mocinho, disputa-se a preliminar da sucessão presidencial. Lula defende Sarney porque vê nele a garantia de aliança com o PMDB. Nada mais.

O PT, de sua parte, esperneia não por razões éticas, mas políticas: o desgaste que essa aliança lhe impõe nos grandes centros urbanos. A guerra de extermínio prossegue. Já estão sub judice no Conselho de Ética acusados e acusadores: Sarney, acusado pelo senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, e o próprio Virgílio, acusado pelo líder do PMDB, Renan Calheiros, que para lá também irá, por ter proferido palavras indecorosas contra o senador Tasso Jereissati. E assim por diante.

O noticiário com denúncias parece inesgotável e amplia o leque dos acusados, dando a impressão de que são todos farinha do mesmo saco. É claro que não são, que há honrosas exceções, mas a crise, nas proporções em que se apresenta, confunde a opinião pública e coloca a todos na mesma canoa, sem distingui-los. Daí a proposta da OAB de renúncia geral e irrestrita – que, claro, não será atendida.

Ruy Fabiano é jornalista

VEJA 1 - Carta ao Leitor: A tropa de choque hoje é outra

deu no Blog do Reinaldo Azevedo

VEJA 1 - Carta ao Leitor: A tropa de choque hoje é outra

sábado, 8 de agosto de 2009 | 6:25

Militares cercam o Congresso, em 1968
Os escândalos atuais e seus encobrimentos podem fazer o que nem mesmo a ditadura conseguiu - matar a ideia do Parlamento como o berço das leis e a casa do povo

O país assiste, estupefato e impotente, a mais um espetáculo vexaminoso que se desenrola em Brasília. Para garantir-se na presidência do Senado, José Sarney, afogando-se em revelações de nepotismo e corrupção, recorreu à “tropa de choque” - um lumpesinato parlamentar de biografia encardida, sem nada a perder e que usa como armas da chantagem à intimidação física. A tropa de choque que tenta blindar Sarney é capitaneada por Renan Calheiros, derrubado da mesma cadeira em 2007, depois que vieram à tona a pensão da filha paga por um lobista e outros ilícitos bem mais constrangedores. Seu lugar-tenente é Fernando Collor de Mello, um ex-presidente da República cuja folha corrida dispensa apresentações. Ao alistar gente dessa espécie para formar sua linha de ataque, Sarney aceitou pagar o preço que esses serviços de proteção cobram. No campo simbólico, enterra sua longa carreira política igualando-se em estatura a Collor e Renan. Na prática, condenou-se a presidir um Senado em que a política, como se viu na quinta-feira passada, se tornou apenas a extensão de uma guerra por outros meios. Aos brasileiros, o decano senador, ex-presidente da República e ex-governador dá o direito de perguntar, afinal que recompensa preciosa é essa a justificar tão alto custo da operação de defesa?

Um dos aspectos mais tristes desses episódios degradantes, que se sucedem em frequência muito acima do tolerável, é que eles minam a confiança dos cidadãos na democracia e em suas instituições. Nesse sentido, os escândalos e seus encobrimentos em Brasília podem fazer o que nem mesmo a ditadura militar conseguiu ao fechar o Congresso em 1968 e 1977: matar a ideia do Parlamento como o berço das leis, a casa do povo e o pavor dos tiranos. Abomináveis de qualquer ângulo que se olhe, os regimes autoritários cedo ou tarde causam na sociedade uma reação que se manifesta por meio do fortalecimento do sentimento democrático. Foi isso que enterrou a ditadura militar em 1985. É esse sentimento que os senhores símbolos da falência do atual modo de vida parlamentar arriscam matar.

Lula, o verdadeiro chefe de Renan

Lula, o verdadeiro chefe de Renan

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sábado, 8 de agosto de 2009 | 7:15

Um texto meu de ontem começava assim: “O triste espetáculo a que se assiste no Senado tem um maestro: Luiz Inácio Lula da Silva“. Pois bem, posts abaixo, vocês lerão que Lula — que ontem resolveu exercitar retórica golpista — endossou o comportamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado. Segundo o presidente, quem radicalizou foi a oposição!

Lula endossa, assim, o espetáculo de arrogância, truculência e baixo calão protagonizado por Renan. A coisa não pára por aí. Ele também gostou daquela frase emblemática do seu aliado: a oposição é “minoria com complexo de maioria”. Aprovou o achado. Considera que é isso mesmo. Até o peemedebista achou que tinha exagerado, mas não Lula.  Como já disse aqui, isso revela uma incompreensão básica, essencial, do que é democracia. Por que as palavras são, como disse, emblemáticas? Porque elas sintetizam e desenham o espírito deste governo: maiorias existem para esmagar; minorias, para ser esmagadas.

“Mas não é assim nas democracias?”, pergunta o petralha. Não, não é, não. Os vários fascismos europeus foram regimes de maioria, alguns “de massa”. E, no entanto, não foram democráticos. A democracia supõe a existência e aplicação de valores — e um dos mais sagrados é justamente a proteção aos direitos da minoria, seja na política, seja na sociedade. Bastasse a maioria, as próprias leis seriam inócuas.

Ninguém, na tropa de choque de Renan, tem algo a perder — alguns dos seus soldados nem mesmo têm votos, já que são suplentes. Ele próprio não ambiciona mais ser algo além do que já é. Sabe que, na carreira, chegou ao topo. E conta com a máquina que montou em seu estado para lhe garantir os mandatos. Renan, Collor, Wellington Salgado… Eis a guarda pretoriana de Sarney. São esses monumentos morais que hoje tentam protegê-lo da própria biografia.

Que as oposições resistam à tentação de celebrar um “acordo de convivência” ou coisa que o valha. É muito importante para o país que Renan seja Renan, Collor seja Collor, e Sarney seja Sarney. Porque isso contribui para que Lula seja Lula.

Torço para o confronto continuar e para Sarney não sair daquela cadeira. O embate revela a real natureza daquela gente esquisita, mas também expõe a real natureza do governo Lula e faz um ensaio do que seria um governo Dilma.

Sarney tem de ficar. Mas debaixo de vara.

Conselho de Ética se enterrou, dizem especialistas

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deu no Blog do Noblat
fim a ações contra Sarney
Conselho de Ética se enterrou, dizem especialistas

A decisão do presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), de arquivar todas as 11 representações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), decretou o fim do próprio órgão, disseram analistas políticos ouvidos pelo UOL Notícias.

"Foi um ato de arquivamento do próprio Conselho de Ética", afirmou Roberto Romano, professor da Unicamp (Universidade de Campinas). "Vai ser a mesma coisa no plenário, não temos as forças democráticas favoráveis à transparência. Eles já estão transformando o Congresso em um caixão e estão levando para o enterro. Esse arquivamento sumário era a estaca que faltava." Leia mais em: Conselho de Ética se enterrou ao dar fim a ações contra Sarney, dizem especialistas

Senadores do PT querem deixar Conselho de Ética

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deu na folha de s.paulo
Senadores do PT querem deixar Conselho de Ética

De Andreza Matais e Fábio Zanini:

A divisão na bancada de senadores do PT, partido que deve ser o fiel da balança para o futuro de José Sarney (PMDB-AP), aprofundou-se. Os dois principais defensores do presidente do Senado no partido, Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS), tiveram uma tensa reunião com o líder da bancada, Aloizio Mercadante (SP), e pediram para não serem os titulares no Conselho de Ética.

Segundo a Folha apurou, Ideli e Delcídio, suplentes, estão incomodados com o fato de as duas vagas titulares do partido não terem sido preenchidas. Com isso, serão obrigados a votar e assumir a posição pró-Sarney, sofrendo desgaste junto à opinião pública. Ideli é candidata ao governo catarinense, e Delcídio, à reeleição.

Na reunião com Mercadante, ambos o acusaram de fazer um "jogo duplo": defende o afastamento de Sarney mas mantém no conselho dois sarneyzistas e não se indispõe com o Planalto. Lula é um dos principais defensores de Sarney.

Mercadante disse, por meio de sua assessoria, que vai debater o assunto com a bancada na semana que vem.

Para contornar o impasse, o PT discute liberar o voto dos senadores no conselho. A proposta foi levada a Mercadante anteontem pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini. "[No Conselho de Ética] cada senador deve votar de acordo com o mérito da denúncia e de acordo com sua consciência", disse.

A ideia é conveniente para evitar um racha definitivo na bancada petista. Há uma série de precedentes. No escândalo do "mensalão", em 2005 e 2006, o partido evitou fechar questão quanto à cassação de parlamentares. Em seu estatuto, abre exceções para que parlamentares votem como quiserem em questões éticas. Assinante do jornal leia mais em: Senadores do PT querem deixar Conselho de Ética

Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto

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deu em o estado de s.paulo
Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto

De Vera Rosa e Tânia Monteiro:

Preocupado com o agravamento da crise no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou com assessores que o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), resumiu muito bem a percepção do governo sobre as ações de tucanos e democratas no Congresso ao afirmar que a oposição era "minoria com complexo de maioria". A frase de Renan foi dita durante bate-boca no plenário com Tasso Jereissatti (CE), na quinta-feira.

Embora considere "lamentável" a troca de insultos entre os senadores, Lula avalia que os adversários adotam a "tática da muvuca" e agem como se tivessem mais votos. Renan é o chefe da tropa de choque montada para socorrer o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e também já foi apoiado por Lula, em 2007, quando acabou renunciando à presidência do Senado para escapar da cassação.

O governo quer a permanência de Sarney, mas Lula tem seguido à risca a estratégia de não mais mexer nesse vespeiro em público, para evitar desgaste.

Faz exatamente oito dias que o presidente não fala sobre a crise. Na tentativa de evitar que o terremoto político contamine o governo, ministros repetem como um mantra que "a crise é do Senado". Na prática, porém, o Planalto está apreensivo com os efeitos colaterais da febre na Casa presidida por Sarney.

"É triste o que está acontecendo no Senado. A situação se complicou de novo e a temperatura está muito alta", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Lula insiste em que é preciso ajudar Sarney. Depois dos xingamentos de quinta-feira entre Renan e Tasso, no entanto, senadores do PT discutem a possibilidade de ajudar a oposição no Conselho de Ética. Assinante do jornal leia mais em: Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Zé Sarney - Afinal, a queda de um impostor?

Zé Sarney - Afinal, a queda de um impostor?

Ipojuca Pontes | 14 Julho 2009
Artigos - Governo do PT

XoSarneyDepois de levar o País à ruína, Zé Sarney, longe de ser preso ou mergulhar em merecido ostracismo, arrumou um mandato de Senador da República pelo Amapá, Estado que estrategicamente ajudou a criar. E a partir daí, prestando total vassalagem às figuras de Itamar Franco, Fernando Henrique (duas vezes) e Lula da Silva - como antes servira aos deletérios presidentes Jango e Jânio e, a partir de 1964, aos "ditadores militares" -, o virtuoso literato de "Brejal das Guajás" (tido por Millôr Fernandes como um "Bestialógico em estado puro") se fez três vezes Presidente do Senado, cargo que atualmente ocupa, mal e porcamente.

"Impostor: Que ou aquele que tem ou pratica  impostura; embusteiro" - Novo Dicionário Aurélio

Ao que tudo indica Zé Sarney, o Impostor, tal como Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros, vai ter de largar - mais cedo ou mais tarde - as delituosas delícias da presidência do Senado Federal, às quais se aferra como um cão faminto diante de um osso suculento.

É verdade que Lula da Silva, o Cínico, faz de tudo para mantê-lo no cargo, visto que dele precisa para traçar o baralho (sujo) da manutenção do poder, vale dizer: 1) Tornar viável a duvidosa candidatura de Dilma "Michael Jackson" Rousseff à presidência da República; 2) Sustentar a subserviência do PMDB e dominar as votações de interesse do governo no plenário do Senado; 3) Controlar com mão de ferro a explosiva CPI da Petrobras, o cofre forte petista; 4) E, o mais importante, ampliar o deletério processo de "transição para o socialismo", objetivo principal do PT desde janeiro de 2003, quando se assenhoreou do Poder.

(Adendo 1: De todo modo, se Lula insistir em manter Zé Sarney na presidência do Senado, como vem fazendo, o desgaste será maior, não só para o seu partido - o famigerado PT, umbilicalmente ligado à corrupção - como para o próprio Zé Sarney, que correrá o risco de ser apedrejado publicamente, como já o foi, de resto, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, em junho de 1987, quando dividia o Executivo Nacional com o Dr. Ulysses - o homem que, com a Constituição Cidadã, tornou o "País ingovernável", presa fácil da demagogia utópica da politicagem esquerdista. Só para lembrar: no levante do Paço Imperial, ao apedrejar o atual presidente do Senado, a massa enfurecida gritava em estribilho: "Sarney, salafrário! Está roubando o meu salário!")

De fato, se o leitor examinar com o mínimo de objetividade a vida pregressa do País, há que reconhecer em Zé Sarney o pior e mais nocivo homem público brasileiro de todos os tempos, aí incluído o período do Brasil Colônia, do Império e das duas Repúblicas: a Velha e a Nova. De relance, lembro que alguns cronistas da nossa tumultuada história política costumam citar, como exemplos clássicos de maus homens públicos, Francisco Gomes da Silva, o "Chalaça", vil secretário de Pedro I; Artur Bernardes, que governou (mal) a nação em permanente Estado de Sítio; e, no Brasil moderno, as figuras de Ademar de Barros, Paulo Maluf e Collor de Mello (com o PC Farias à tiracolo) - mas o fato concreto é que Zé Sarney suplantou a todos eles, em ambição, esperteza, pequenez e intrujice.

Com efeito, tudo na atribulada vida do político Sarney carrega o estigma da impostura, a começar pelo nome: de José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, passou à Zé de Sarney (prenome adotado pelo pai) e, afinal, a partir de 1965, se fez José Sarney de Araújo Costa, na certa para esconder a vulgaridade do Ribamar.

O atual presidente do Senado, pelo que se sabe, sem ter feito outra coisa na vida a não ser política, é um homem rico, aliás, riquíssimo. Ele tem propriedades, mansões, bens diversos, salários vultosos, bons dividendos, dólares no exterior, jornal, rádio e televisão, etc. Há quem conteste, todavia, que ele tenha acumulado fortuna de modo ilícito. De fato,  morando há mais de 40 anos de graça em palácios, com serviçais, secretárias, comida, transporte aéreo, carro, chofer, gasolina, auxílio moradia, sofisticados plano de saúde, Net, internet, verba de representação e correios, barbeiro, diárias em viagens (para dentro e fora do país), sem falar nas mordomias de praxe - bem senhores, falando francamente, se o homem não tivesse ficado podre de rico poderia até ser mal interpretado.

(Adendo 2: Mas é no plano intelectual que o embuste Sarney atinge o patético. Para se exibir como um "homem público respeitável", o político matreiro, que é incapaz de pronunciar uma frase com fluência e sem tropeços, se apresenta nos ambientes com o apuro de um amanuense formal (jaquetão e bigode pintado de acaju). Por outro lado, para vendar a imagem do "escritor consagrado", não sei se com a grana da Viúva, vez por outra viaja à Paris para lançar livros que ninguém lê, na ilusão subdesenvolvida de que, em assim fazendo, terá assegurado a condição de "personalidade literária", aqui. Por conta de tal engodo, mesmo escrevendo tolas anedotas em forma de má ficção, tornou-se "imortal" da Academia Brasileira de Letras, distinção com a qual procura camuflar, orgulhoso, a reconhecida mediocridade.

Detalhe: nos saraus literários, por sua vez, contraditoriamente, o impostor encena a pachorra do Estadista circunspeto, sem desconfiar que, para a maioria dos presentes, longe de ser "uma personalidade literária", passa por rematado "coronelão" da roça, senhor de práticas políticas  ordinárias).

No Maranhão, onde já foi governador e se fez inúmeras vezes (por conta de métodos medievais) deputado e senador, tudo carrega o seu nome ou o nome dos seus familiares: escolas, hospitais, maternidades, praças, avenidas, mercados públicos, estradas, fórum, aeroporto e, segundo rumores, até mesmo a placa de modesto chafariz. Curiosamente, em que pese ter se apropriado do Estado há mais de 40 anos, e feito da filha Roseana governadora (duas vezes), o Maranhão registra os piores indicadores econômicos e sociais do País, segundo dados do IPEA e do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

É fato que o Maranhão já era pobre antes do advento de Sarney e herdeiros. Com ele no poder, no entanto, as imagens de miséria registradas na reportagem "Maranhão 66" (feita de encomenda por Glauber Rocha, paga à LC Barreto com o mísero dinheiro público), multiplicaram-se aos borbotões.

Com efeito, a partir da Dinastia Sarney, iniciado com o próprio Zé em janeiro de 1966, o Estado nordestino virou uma calamidade nacional: ali se encontram, ainda hoje, os piores índices de renda per capita do país, o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a maior taxa de mortalidade infantil, a maior taxa de analfabetismo, a menor taxa de escolaridade, o maior número de habitações sem serviços de água, esgoto e energia elétrica - e por ai segue o barco das aflições. É ver (e ouvir) para crer: na terra do clã Sarney, a infelicidade chegou a tal ponto que o nativo  graceja chamando-a de "Estado do Piorão" - a reunião dos fundos do Piauí com todo território do Maranhão.

No entanto pior, muito pior, se deu quando o político matreiro chegou à Presidência da República, cargo que assumiu inadvertidamente por conta da morte súbita de Tancredo Neves. Nele, Sarney ultrapassou todos os índices de incompetência e pusilanimidade, conduzindo um governo caótico que deixou como legado a hiperinflação anual de 1.751% - o que decerto fez como que o povo carioca, num ímpeto de desespero, o apedrejasse em praça pública - fenômeno único na vida política nacional.

No cargo de presidente, o "Estadista do Brejal dos Guajás" transformou a nossa vida pública numa   extensão da privada (me refiro, tal como o Barão de Itararé, ao vaso sanitário). Permissivo, mais que permissivo, relapso, o velho "coronelão" fez de tudo para arruinar a vida do povo brasileiro que o malfadado destino, por obra do acaso, lhe colocou nas mãos. Tal qual um estróina febril, ele criou ministérios inúteis, desperdiçou bilhões (de cruzeiros e cruzados) em obras inacabadas; fomentou como ninguém (até então) o empreguismo, distribuindo concessões de rádios e televisões a mancheias em troca de votos e apoio político (objeto de rumorosa CPI); e, o mais daninho, prodigalizando subsídios e isenções fiscais em profusão, enriqueceu milhares de parasitas e levou o País à desagregação social e à corrupção desenfreada.

Adendo 3: A permanência de Sarney na Presidência da República foi tão acentuadamente nefasta que o próprio Lula, cínico que nunca vê corrupção em parte alguma, em discurso público pronunciado em 1987, em Sergipe, tratou-o por "impostor e ladrão"; e por causa de sua permissiva  gestão como presidente, Collor de Mello, até então obscuro governador das Alagoas, se fantasiou de "Caçador de Marajás" e candidatou-se à Presidência da República, prometendo prendê-lo caso chegasse ao Palácio do Planalto - promessa que, obviamente, nunca cumpriu, tornando-se hoje um seu aliado).

Depois de levar o País à ruína, Zé Sarney, longe de ser preso ou mergulhar em merecido ostracismo, arrumou um mandato de Senador da República pelo Amapá, Estado que estrategicamente ajudou a criar. E a partir daí, prestando total vassalagem às figuras de Itamar Franco, Fernando Henrique (duas vezes) e Lula da Silva - como antes servira aos deletérios presidentes Jango e Jânio e, a partir de 1964, aos  "ditadores militares" -, o virtuoso literato de "Brejal das Guajás" (tido por Millôr Fernandes como um "Bestialógico em estado puro") se fez três vezes Presidente do Senado, cargo que atualmente ocupa, mal e porcamente. Neste posto, sua ligação com  escândalos os mais cabeludos atingiu tal evidência, que o grosso da população brasileira quer vê-lo pelas costas. (Vide, s'il vous plait, na Internet e nas secções Cartas do Leitor dos principais jornais do País, a campanha "Fora Sarney").

Mas, verdade seja dita, não há nada de novo front. Como presidente do Senado, Sarney não mudou milímetro na postura de político manhoso, esperto, leniente e pusilânime. Desde que ocupou o posto (pela primeira, em 1995), permitiu que ali se instalasse uma verdadeira quadrilha organizada, tendo à frente uma "cria" sua, Agaciel Maia, o ex-diretor-geral do Senado, funcionário que omitiu da declaração patrimonial uma mansão de R$ 5 milhões, além de manter sob injustificável sigilo mais de 660 "atos secretos", abrangendo os mais diversificados tipos de fraudes e irregularidades que permeiam as páginas do vasto Código Civil.

(Adendo 3: No resumo da ópera, são atos vergonhosos que, em parte tornados públicos, prenunciam a total desmoralização do Senado Federal, e de seus representantes, para o escárnio da Nação. Estampados em manchetes de jornais, eles  evidenciam os esquemas de nepotismo, apropriações indébitas, contratações ilícitas, desvios de verbas, malversação do dinheiro público, abusos orçamentários, mordomias de toda ordem - em suma, um variado repertório de fatos escandalosos que só  fazem lembrar de perto o cardápio de desgraças que acabou por fulminar, entre 1985/1990, a "Nova República" presidida pelo atual senador Zé Sarney).

No que se refere, em particular, ao prontuário de denúncias contra o temerário senador do Amapá, a imprensa ressalta seu envolvimento com a nomeação sigilosa de parentes, neto e afilhados (mais de dez); posse indevida de auxílio-moradia (Sarney recebia R$ 3.800, mesmo dispondo de duas mansões em Brasília, um delas residência oficial do Presidente do Senado); soma ilegal de dólares no exterior; requisição de seguranças do Congresso (em Brasília) para vigiar sua residência em São Luís (em que pese ser senador pelo Amapá); criação, para o deleite de apaniguados, de 50 diretorias supérfluas no Senado Federal; uso de funcionária da Casa na assessoria de suas campanhas eleitorais; ocultação à Justiça Eleitoral de imóvel de sua propriedade, no valor de R$ 4 milhões (pecadilho que, em nota, o Estadista atribuiu à "erro do contador"); e, por último, mas não menos escabrosa, a denúncia de que a Fundação que traz o seu nome e da qual é presidente de honra, desviou verba de R$ 500 mil da Petrobras ("patrocínio cultural", via lei Rouanet) para empresas fantasmas e da sua própria família.

Tal soma de arbitrariedades, no entanto, não significa grande coisa se comparada ao mal que o "legislador" Sarney vem causando ao País ao longo dos anos. É de sua lavra, ou pelo menos traz a sua assinatura, o encaminhamento ao Congresso Nacional  de leis que, bem examinadas, em conjunto ou isoladamente, dividem a alma da Nação, criam privilégios, punem economicamente a população, aviltam as pessoas mais pobres, estimulam a malandragem, desestimulam o mérito, estabelecem a discórdia e, o mais nocivo - corrompem e minam a democracia formal.

Querem um exemplo? Pois bem: por trás da  discriminatória Lei de Cotas que institui o obrigatoriedade do aproveitamento de negros e pardos nas universidades públicas, atendendo a grupos empenhados em acirrar o preconceito racial como forma de luta de classes está dedo de quem?

Quem é o mentor da lei de incentivos fiscais na área da cultura (hoje, lei Rouanet), responsável por elevado índice de malversação dos recursos oficiais; pela expansão de "castas culturais" parasitárias viciadas em mamar nos cofres públicos e pela substituição da obra de arte pela propaganda ideológica e a predominância do pensamento totalitário nas produções culturais, deflagradora da  permanente crise de criatividade nacional?

E quem, subserviente às esquerdas de todos os matizes, esteve por trás do reatamento das relações diplomáticas do Brasil com a miserável Cuba de Fidel Castro, o mais empedernido e sanguinário ditador da América Latina em todos os tempos, responsável pela transformação da ilha numa vasta prisão e pela morte direta de 120 mil cubanos?

E quem, na certa para demonstrar  independência em face dos militares de 64 (aos quais obedeceu como um vira-lata), rompeu relações diplomáticas com a China Nacionalista (Formosa) e as restabeleceu com a velha China Vermelha, ao lado de Cuba e da Coréia do Norte, a mais pétrea ditadura comunista em vigência?

E só para não ir mais adiante neste rol de iniqüidades: quem, para preservar os interesses espúrios de Lula no seu primeiro mandato, procurou dificultar por todos os meios à instalação da CPI do "Mensalão", justamente o inquérito que cassou o mandato de Zé Dirceu, o segundo homem na hierarquia do governo petista?

Resposta: José Sarney, o impostor que se finge de ofendido diante das graves acusações que lhes são imputadas, figura magna que corre atrás de Lula, seu parceirinho, para salvaguardar míseras regalias e adiar uma queda que moralmente já se deu aos olhos da Nação.

(Adendo final: Figura de pantomima, mas, sobretudo, personagem nocivo à vida pública brasileira, Zé Sarney está a merecer de algum autor teatral entrecho de uma farsa trágica. Não precisa, naturalmente, para fazê-la, ser dramaturgo da estatura de um Gogol ou de Antonio José da Silva, o Judeu. Seria pedir demais, claro. Para a tarefa, um entremez circense de autor do porte de Gugu Olimecha já dava para quebrar o galho. E não deixaria de ser curioso ver um tipo ladino, capaz das mais incríveis estripulias, impostar a virtuosidade do Eremita Simão. Ou mesmo, de forma melancólica, ver o personagem burlesco levar adiante o trabalho sujo do poder (esquerdista) para, logo depois, por ele ser execrado. Sim, poderia render bom caldo!
Mas, enquanto este momento não chega, o certo será o nativo mover ação pública contra este mau político que, na Presidência do Senado, afirmando servir à Nação, dela se serve há décadas, atingindo-a profundamente. Se possível, com urgência!).