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domingo, 7 de junho de 2009

Amazonia a venda

Amazonia a venda
Por Sarah 28/03/2006 às 10:21

Saiu na revista Epoca "Magnata compra latifúndio na Amazônia"

Saiu na revista Epoca "Magnata compra latifúndio na Amazônia"
O milionário sueco Johan Eliasch comprou uma área de 1.618 quilômetros quadrados na floresta Amazônica para prevenir o desmatamento do local. O empresário não revelou o quanto pagou pelo terreno, localizado ao norte do rio Madeira. Especulações estimam que o gasto tenha sido de cerca de R$ 17 milhões.
Eliasch está tentando dar o exemplo para outros executivos ricos de países desenvolvidos e afirma que a área não será desmatada.
Aluguem o Brasil ! Nós não vamos pagar nada.
Esta frase dita as regras do Brasil?
Neste ponto faz pensar onde foi parar o sentimento de amor ao seu país ao ponto de abrir as portas para a posse e a ganancia de um patrimonio nacional.

Amazônia à venda- Programa Fantástico - Rede Globo -1/6/08

Amazônia à venda- Programa Fantástico - Rede Globo -1/6/08

02-Jun-2008

Quem é e o que pensa o empresário sueco Johan Eliasch, apontado como o maior comprador de terras na Amazônia e diretor da ONG investigada pela Abin? Patrícia Poeta foi a Londres obter essas respostas.

Johan Eliasch é milionário, dono de uma das maiores marcas de material esportivo do mundo. É sueco e tem cidadania britânica. Na Inglaterra, foi um dos financiadores do Partido Conservador, de oposição. Mas, em 2007, mudou de lado. Agora, apóia os trabalhistas e é consultor do primeiro-ministro Gordon Brown para assuntos ambientais.

No Brasil, seu nome só era citado como marido da socialite paulista Ana Paula Junqueira. Mas, esta semana, Eliasch virou manchete dos jornais. As terras que comprou na Amazônia e a ONG que ele comanda estão sendo investigadas pelo governo brasileiro. Em Londres, Patrícia Poeta entrevistou Johan Eliasch.

Fantástico: Por que o senhor se interessou pela questão da Floresta Amazônica?

Johan Eliasch: Eu sou uma pessoa que adora árvores e que sempre se preocupou com o desmatamento. Foi assim que me interessei.

Fantástico: É certo dizer que o senhor está comprando a Amazônia, um pedacinho de cada vez?

Johan Eliasch: Não, de jeito nenhum. Eu tenho alguma terra no Amazonas através de uma empresa que comprei. Esse é o meu envolvimento e é para a proteção dessas terras.

Fantástico: Quando o senhor comprou essas terras?

Johan Eliasch: Foi em 2005.

Fantástico: Quantos hectares?

Johan Eliasch: No total, cerca de 160 mil hectares.

Fantástico: Esses 160 mil hectares equivalem a uma área maior do que a cidade de São Paulo, que tem 1.523 quilômetros quadrados. O senhor pode nos dizer quanto pagou?

Johan Eliasch: Isso eu não posso dizer porque, no contrato de compra, o preço é uma informação confidencial.

Fantástico: O que pretende fazer com essas terras?

Johan Eliasch: Garantir que não haverá extração ilegal de madeira, que as áreas ficarão livres disso e também para desenvolver o local de maneira sustentável. Eu quero permitir à comunidade local fazer coleta de castanhas de graça. Eu criei meios de subsistência nessas áreas.

Fantástico: O senhor pretende comprar mais terras na Amazônia?

Johan Eliasch: Eu não pretendo comprar mais terras do que eu já tenho.

Fantástico: A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) acredita que o senhor esteja incentivando a compra de terras na Amazônia por estrangeiros por causa de uma declaração que ele deu em 2006. O senhor sugeriu que a Amazônia poderia ser comprada por US$ 50 bilhões?

Johan Eliasch: O que falei foi em uma conferência para empresas de seguros, em 2006. E o que eu disse é que o valor hipotético da Amazônia era pequeno comparado ao que as seguradoras gastaram com os prejuízos do furacão Katrina. E que elas deveriam incentivar ações antidesmatamento. Foi isso que disse.

Fantástico: De onde foi tirado esse valor?

Johan Eliasch: Com base em um preço hipotético do valor das terras naquela época. Mas disse apenas como a intenção de incentivar as seguradoras a patrocinar a proteção da floresta.

Fantástico: O governo brasileiro está investigando ONGs internacionais que atuam na Amazônia e a Cool  Earth, que o senhor fundou, está entre elas.

Johan Eliasch: Eu nunca fui notificado sobre qualquer investigação. Tenho certeza que a Cool Earth operou e atua de acordo com todas as leis, brasileiras, inglesas ou quaisquer outras leis.

Fantástico: Então, por que o senhor acha que existe esta suspeita?

Johan Eliasch: Eu não sei.

Fantástico: Ao fazer uma doação, o dinheiro vai para um projeto, mas também vai para a compra de terras?

Johan Eliasch: A Cool Earth não é dona de terra alguma. O que ela faz é apoiar projetos junto às comunidades locais para proteger a floresta.

Fantástico: De onde vocês tiraram os números para afirmar que com 35 libras o doador tem garantida a preservação de 22 árvores adultas, seis animais ameaçados de extinção e mais de 11 mil espécies de insetos?

Johan Eliasch: O preço é o que nós estimamos, que por 35 libras dá para efetivamente proteger meio acre de terra. E a fonte dos números são institutos de pesquisa brasileiros e internacionais.

Fantástico: Em sua opinião, a quem pertence a Floresta Amazônica?

Johan Eliasch: Pertence aos brasileiros e é assim que tem que ser.

Fantástico: Algumas pessoas no Brasil o vêem como um invasor, alguém que veio de fora, comprou terras e quer tirar lucro delas. O que acha disso?

Johan Eliasch: Acho que é uma invenção da imprensa brasileira, talvez inspirada por razões políticas. Mas minhas intenções são apenas... Eu gosto do Brasil, acho que é um lugar maravilhoso. Eu também gosto de árvores, floresta. Estou apenas tentando ajudar a proteger a Floresta Amazônica. É isso.

Fantástico: O senhor não acha que a maneira como a Cool Earth atua no Brasil pode ser chamada de um novo tipo de colonialismo?

Johan Eliasch: Não existe colonialismo nisso. Existe apenas um apoio financeiro para pessoas

Clique aqui e assista a matéria, enquanto estiver disponível no site da Globo: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM835319-7823-QUANTO+VALE+A+AMAZONIA,00.html

Amazônia à Venda

Amazônia à Venda

Publicado por Cristiane

em 19 de maio, 2006

Carlos Chagas, jornalista, mantém coluna na “Tribuna da Imprensa”, do RJ, onde publicou este texto:

Nem tudo está perdido. Esta semana, o Senado parou. Parou e tremeu com a denúncia feita pelo senador Arthur Virgílio, a respeito da amazônica brecha aberta pela Lei de Concessão de Florestas Públicas, aprovada recentemente.

Para o líder do PSDB, é inadmissível que um milionário sueco-americano se tenha vangloriado de haver adquirido, na Amazônia, área igual à da Grande Londres, da qual, através de parcerias com grandes grupos internacionais privados, anunciou que buscará tirar proveito comercial, explorando e vendendo tudo o que existe em seus limites, da madeira à biodiversidade e ao subsolo.

O indigitado personagem da denúncia chegou a declarar à imprensa dispor de força política para mudar o protocolo de Kioto, assinado pelas principais nações do planeta, em defesa do meio ambiente. Seria uma espécie de “liberou geral” na Amazônia.

Arthur Virgílio cobrou providências do governo federal e do governador do Amazonas, para quem, conforme acentuou, tratou-se da aplicação da lei entre dois entes privados, não cabendo intervenção do poder público.

O crime é de lesa-pátria

É preciso descer à raiz do problema. Essa lei celerada foi proposta ao Congresso pelo então presidente FHC, que até antes de sua aprovação pelo Congresso fez propaganda dela na Europa, convidando empresários e governos a adquirirem parcelas da floresta amazônica.

Veio o governo Lula e imaginou-se a retirada do projeto, por bater de frente com a pregação do candidato, retoricamente nacionalista e cultor da soberania nacional.

Ledo engano. O Lula seguiu na mesma linha e fez aprovar a lei, que sancionou sob os aplausos da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e do PT.

Pelo texto, qualquer cidadão ou empresa nacional ou estrangeira fica autorizado a comprar a floresta por um período de 40 anos, renováveis por mais 40, para extrair madeira e apropriar-se da biodiversidade, patenteando milhares de recursos vegetais ainda desconhecidos da ciência, assim como explorar o subsolo.

O resultado é que a Amazônia vem sendo vendida. Dilapidada. O próprio sueco-americano, referindo-se aos milhões que pagou pelo seu pedaço, vangloriou-se de que a Amazônia inteira pode ser comprada por 50 bilhões de dólares. Foi o que recomendou aos bancos internacionais.

Na sessão onde a denúncia de Virgílio foi feita, seguiram-se dezenas de apartes, todos na condenação da iminência da perda total da propriedade do nosso território.

Trata-se da internacionalização da região, há tantas décadas e até há séculos cobiçada pelas nações ricas, sob o pretexto de que a Amazônia pertence à Humanidade e os brasileiros não têm capacidade para cuidar dela.

O crime praticado é de lesa-pátria, pelo qual deveriam responder os presidentes FHC e Luiz Inácio da Silva. Eles e o Congresso, que aprovou o projeto.

Mídia calou-se diante do fato

Nas terras adquiridas, de acordo com essa lei, fica o poder público impedido de atuar, abrindo-se outra alternativa, no caso para os que pretendem manter intocada a mais rica reserva natural do mundo.

Depois de receberem a concessão, poderão mandar os amazônidas embora de suas glebas, proibindo qualquer projeto nacional de desenvolvimento.

Conforme o senador Gilberto Mestrinho, a internacionalização da Amazônia só não aconteceu até hoje graças às Forças Armadas.

Para ele, a visão colonizadora dos países ricos permanece a mesma, só que agora estimulada pelo próprio governo brasileiro.

O grave nessa história é a acomodação da maior parte da mídia, há muito aberta para falsas denúncias de que o Brasil queima a floresta, acabando com o pulmão do mundo. Não é verdade. O oxigênio exarado de dia é substituído pelo gás carbônico à noite.

Não dá para entender como a ministra Marina Silva se tenha deixado enredar pelas falácias dos neoliberais defensores da lei de concessões, ela que sempre formou na primeira linha de defesa do patrimônio amazônico.

Estará iludida pela versão de que os estrangeiros, tão bonzinhos, vão comprando a floresta para mantê-la intocada, respeitando até a biodiversidade.

Pelo jeito, nunca ouviu falar daquele laboratório japonês que contrabandeou espécimes da flora medicinal da região e, lá de Tóquio, patenteou remédios que hoje compramos deles.

Trata-se de um sinal dos tempos, até irônico, porque essa mais nova denúncia acaba de ser feita por um tucano. O senador Arthur Virgílio é o líder do PSDB.
(Fonte: Jornal da Ciência, a partir de artigo publicado na Tribuna da Imprensa, em 28/4)

Amazônia à venda?

Amazônia à venda?

Compra de terras na região gera polêmica. Saiba o que é ou não ilegal

Publicado em 20/04/2006 - 00:01

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A recente compra de uma vasta região na Amazônia por um empresário sueco levantou questões recorrentes na pauta dos brasileiros: estamos preparados para proteger a nossa floresta? O que impede que outros empresários estrangeiros "tomem posse" de cada vez mais áreas verdes de nosso país? Embora o alarde do "colonialismo verde", ou seja, a aquisição de territórios da Amazônia para proteção da região, tenha sido lançado na grande imprensa como tendência para os próximos anos, especialistas afirmam que isto está longe de ser uma realidade.

Segundo pesquisadores, membros de entidades não-governamentais - como o Greenpeace - e responsáveis por órgãos e institutos públicos de proteção ao meio ambiente, a iniciativa tomada por Johan Eliasch não é uma novidade. Anteriormente, outros estrangeiros já compraram porções de terra da Amazônia, cuja porcentagem correspondia à parte privada, e não à de reserva protegida da mata. Explorar a região, porém, não é algo simples, uma vez que muitas questões esbarram na Constituição brasileira.

Saiba, clicando nos links abaixo, até que ponto a atitude do empresário é considerada lícita e quais as conseqüências desta iniciativa para o território brasileiro mais cobiçado pelas potências internacionais. Confira, ainda, como andam os projetos de proteção ambiental na região e o que, na visão de especialistas, poderia ser feito para preservar de forma mais efetiva uma das mais importantes áreas verdes do mundo.