sexta-feira, 24 de julho de 2009

Veja todos os verbetes da nova língua do Palácio do Planalto! O óbvio lulante!! – Por José Simão

A

Abiscoitar: Dar duas no Dia do Namorados.

Abundantes: As Sheilas.

Açaí: Grito de guerra do churrasco na Granja do Torto! Açaí!

Alquimista: Eleitor do Alckmin.

Alta Combustão: Julia Roberts.

Analgésico: Supositório de companheiro.

Angustiada: Companheira que exagerou no angu.

B

Barbicha: Companheiro Gay.

Barganhar: Companheiro que recebeu um botequim de herança.

Benfeitor: Companheiro que só diz bem feito

Biscoito: Repeteco de trepada.

C

Catapulta: Companheiro que foi pro inferninho.

Caução: Peça do vestuário masculino que a gente deixa na tesouraria dos hospital quando se interna.

Celular: Companheiro que segue a doutrina do Lula.

Celulitização: Socialização da celulite.

Coaxar: Achar em conjunto com os companheiros.

Comensal: Companheiro que come uma vez por mês.

Copom: Taça de champanhe (pequena concessão ao Bestiário Tucanês)

Contra-regra: Anarquista. Vulgo Heloísa Helena.

Cornucópia: Clone de chifrudo. Companheiro gemeo de chifrudo.

Coveiro: Companheiro que planta couve.

Cutícula: Organização das manicures ligada á CUT.

D

Debalde: Companheira enfrentando a falta d'água.

Depauperado: Companheiro que operou da fimose.

Depressão: Panela boa prá cozinhar feijão.

Descalço: Companheiro que tirou as calças.

Desemprego: Sujeito que tem dez empregos.

Diabetes: Dançarinas do diabo. Chacretes do demônio.

Diabético: Companheiro que tem parte com o diabo.

Duplicata: Quando o Palófi quebra os dois pés.

E

Economista: Viver do salário mínimo.

Eficiência: Ciencia que estuda a letra efe dos companheiros, vide Palófi.

Encíclica: Bicicleta de uma roda só

Encubado: Companheiro que foi morar em Cuba.

Engamelar o povo: Rodar o povo na gamela.

Eqüidistante: Cavalo lá longe.

Erradicar: Expulsar radical. Expulsar a Heleoísa Helena.

Escrachado: Companheiro que esqueceu o crachá.

Esgotado: Companheiro que caiu no esgoto.

Estouro: Touro que vai prá parada Gay.

Excêntrico: Deputado do centrão que virou companheiro, ex-cêntrico.

Expansão: O Lula depois da dieta, ex-panção.

Extinto: vinho tinto que virou branco (outra concessão ao Tucanês)

Extorsão: Heloísa Helena torcendo o pescoço dum PM.

Extraído: Companheiro que não é mais chifrado, companheiro que deixou de ser corno.

F

Fast food: Dar uma rapidinha

Fatura: Quando o Palófi que um pé só.

Ferro-velho: Taxação dos aposentados.

G

Gatorade: é a bebida do companheiro que foi para a Parada Gay.

Genuíno: tudo aquilo que é falso

J

Jurista: Companheiro que empresta dinheiro a juros.

L

Latifúndio: A cachorrinha Michele latindo no quintal.

M

Macacão: Maca prá cachorro.

Manutenção: Sustentar o irmão.

Martírio: Ir ao casamento da Marta.

Menosprezo: Diminuição da população carcerária.

Ministério: Anão que não pode ter filhos.

Montadora: Companheira que anda a cavalo.

Moralizar: Comer no filé do Moraes.

O

Obscuro: OB na cor preta.

P

Parapeito: Sutiã.

Parapeito grande: Silicone.

Passos Dias Aguiar: Motorista do lula.

Pelada: Convidar a Sheila Mello prá bater uma bolinha na Granja do Torto.

Peru: O eterno companheiro das companheiras.

Peteca: Recreação predileta dos companheiros do PT.

Peteleco: Leite especial pros companheiros.

Picardia: Companheiro com doença venérea.

Pistache, please: Ordem vinda diretamente da prefeita Marta prá taxar o PIS. PIS taxe, please.

Plâncton: Barulho da porta do Rolls Royce fechando com a dona Marisa dentro...planc-TOM.

Pornográfico: Inserir dados no gráfico.

Pré-Socráticos: Jogadores do Timão antes do doutor Sócrates.

Psicopata: Veterinário especializado em doenças mentais.Então é o psicanalista da Michele..cachorrinha do Lula.

Pulula: Mimo ou presente pro presidente Lula.

Pungente: Flatulência em elevador lotado.

Q

Quilate: Companheira Michele, a cachorrinha do Lula.

Quilate (2): Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro. Companheiro quilate mas não morde.

R

Ratificar: Ficar asistindo ao programa do Ratinho.

Remetente: Companheiro dando a segunda bimbada.

Rolex: companheiro que faz rolo com relógio.

S

Seminário: Banco de Sêmem

Sesquicentenário: Cem anos do Sesc Itaquera.

Sopapo (1): Levar um papinho com a Heloísa Helena.

Sopapo (2): Heloísa Helena e Babá trocando uma idéia.

Sopetão: Reunião em que só entram siliconadas.

Suavisar (com s, mesmo): Suar prá pagar o Visa.

Sucesso: Fusão do SUS com a Esso

Suplício: Ir ao show do Supla.

Suspeito: Implante de silicone no peito feito no SUS.

Sustentar: Tentar uma consulta no SUS.

T

Talento: O companheiro Rubinho dirigindo a sua Ferrari.

Tamanco: Companheiro que participou da pelada da Granja do Torto.

Tangente: Funcionários da TAM.

Taxativa: Prefeita Marta.

Too much: exportar tomate para os EUA.

Tripulante: Campeão de salto triplo.

U

Unção: Plural de um.

V

Vaquejada: Queijo de vaca.

Vicissitude: Atitude contrária do vice. Vicis-situde. Zé Alencar.

Vigilância sanitária: Espiar pelo buraco da fechadura.

Y

Yakult: Organização dos leiteiros ligados à CUT.

José Simão - Boletins

23/07/2009 – 11h12   José Simão

Funk do Bigodão: ado ado ado, tô empregado no Senado!

Ouça

22/07/2009 - 11h28   José Simão

Agora não é mais gripe suína. Agora é a gripe suiney que ataca o suinado federal!

Ouça

21/07/2009 - 09h47   José Simão

Faz 40 anos que o homem andou na Lua. E a gente não consegue nem andar no trânsito!

Ouça

20/07/2009 - 13h46   José Simão

A melhor dupla sertaneja de todas, nem preciso ouvir: Domingo e Feriado

Ouça

17/07/2009 - 13h43   José Simão

A TV Senado é o maior meio de comunicação de massa no Brasil: só comunica pizza!

Ouça

16/07/2009 - 12h45   José Simão

CPI significa: Calabresa, Portuguesa e Italiana; Cheiro de Pizza Iminente; Coma a Pizza Inteira!

Ouça

15/07/2009 - 13h41   José Simão

Piada pronta: assaltaram uma joalheria no Rio Grande do Sul. O nome do município? Jóia!

Ouça

14/07/2009 - 13h51   José Simão

Última do Michael Jackson é que ele era viciado em Xanax. Ué, não era em Meninox?

Ouça

13/07/2009 - 13h06   José Simão

Piada pronta: vídeo erótico com vereadora causa comoção. O nome dela? Andréia Puríssimo!

Ouça

10/07/2009 - 11h35   José Simão

Lionel Richie, La Toya e Mariah Carey... Michael Jackson acordou os zumbis!

Ouça

09/07/2009 - 11h24   José Simão

Michael Jackson não foi cremado! Ele foi reciclado na fábrica da Lego!

Ouça

08/07/2009 - 12h41   José Simão

O Berlusconi devia mudar de nome para Berluscome!

Ouça

07/07/2009 - 12h31   José Simão

A piada pronta do dia: Agaciel ao contrário é Lei Caga!

Ouça

06/07/2009 - 13h11   José Simão

No velório, Michael Jackson vai levantar e dançar Thriller com os zumbis!

Ouça

José Simão

José Simão
Buemba! Buemba!
Nacional

Um dos mais irreverentes cronistas da imprensa brasileira, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em 1969, curso do qual desistiu logo em seguida. Entrou para a Folha de S.Paulo em 1987, onde mantém uma coluna que ele próprio chama de "telejornal humorístico". É autor dos livros Macaco Simão no Cipó das Onze ou Se Acordar Cedo Desse Dinheiro Passarinho Já Tava Milionário, Guia do Lamagate ou Macaco Simão na República das Bananas, Macaco Simão no Tetra e Macaco Simão em Nóis Sofre Mais Nóis Goza.

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Charge de Millôr Fernandes

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Millôr Fernandes

 

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Millôr Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923) é um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro.

Índice

[esconder]

[editar] Biografia

Nasceu Milton Viola Fernandes, tendo sido registrado, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr, o que veio a saber adolescente. Aos dez anos de idade vendeu o primeiro desenho para a publicação O Jornal do Rio de Janeiro. Recebeu dez mil réis por ele. Em 1938 começou a trabalhar como repaginador, factótum e contínuo no semanário O Cruzeiro. No mesmo ano ganhou um concurso de contos na revista A Cigarra (sob o pseudônimo de "Notlim"). Assumiu a direção da publicação algum tempo depois, onde também publicou a seção "Poste Escrito", agora assinada por "Vão Gogo".

Em 1941 voltou a colaborar com a revista O Cruzeiro, continuando a assinar como "Vão Gogo" na coluna "Pif-Paf". A partir daí passou a conciliar as profissões de escritor, tradutor (auto-didata) e autor de teatro.

Já em 1956 dividiu a primeira colocação na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o desenhista norte-americano Saul Steinberg, e em 1957 ganhou uma exposição individual de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Dispensou o pseudônimo "Vão Gogo" em 1962, passando a assinar "Millôr" em seus textos n'O Cruzeiro. Deixou a revista no ano seguinte, por conta da polêmica causada com a publicação de A Verdadeira História do Paraíso, considerada ofensiva pela Igreja Católica.

Em 1964 passou a colaborar com o jornal português Diário Popular. Em 1968 começou a trabalhar na revista Veja, e em 1969 tornou-se um dos fundadores do jornal O Pasquim.

Nos anos seguintes escreveu peças de teatro, textos de humor e poesia, além de voltar a expor no Museu de Arte Moderna do Rio. Traduziu, do inglês e do francês, várias obras, principalmente peças de teatro, entre estas, clássicos de Sófocles, Shakespeare, Molière, Brecht e Tennessee Williams.

Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, retornou à Veja em setembro de 2004.

[editar] Sua obra

[editar] Prosa
  • Eva sem costela – Um livro em defesa do homem (sob o pseudônimo de Adão Júnior) - 1946 - Editora O Cruzeiro.
  • Tempo e contratempo (sob o pseudônimo de Emmanuel Vão Gogô) - 1949 - Editora O Cruzeiro.
  • Lições de um ignorante - 1963 - J. Álvaro Editor
  • Fábulas Fabulosas - 1964 - J. Álvaro Editor. Edição revista e ilustrada – 1973 - Nórdica
  • Esta é a verdadeira história do Paraíso - 1972 - Livraria Francisco Alves
  • Trinta anos de mim mesmo - 1972 - Nórdica
  • Livro vermelho dos pensamentos de Millôr - 1973 – Nórdica. Edição revista e ampliada: Senac – 2000.
  • Compozissõis imfãtis - 1975 - Nórdica
  • Livro branco do humor - 1975 – Nórdica
  • Devora-me ou te decifro – 1976 – L&PM
  • Millôr no Pasquim - 1977 – Nórdica
  • Reflexões sem dor - 1977 - Edibolso.
  • Novas fábulas fabulosas - 1978 – Nórdica
  • Que país é este? - 1978 – Nórdica
  • Millôr Fernandes – Literatura comentada. Organização de Maria Célia Paulillo – 1980 Abril Educação
  • Todo homem é minha caça - 1981 - Nórdica
  • Diário da Nova República - 1985 – L&PM
  • Eros uma vez – 1987 – Nórdica – Ilustrações de Nani
  • Diário da Nova República, v. 2 - 1988 – L&PM
  • Diário da Nova República, v. 3 – 1988 – L&PM
  • The cow went to the swamp ou A vaca foi pro brejo – 1988 - Record
  • Humor nos tempos do Collor (com L. F. Veríssimo e Jô Soares) – 1992 – L&PM
  • Millôr definitivo - A bíblia do caos - 1994 – L&PM
  • Amostra bem-humorada – 1997 – Ediouro – Seleção de textos de Maura Sardinha
  • Tempo e contratempo (2ª edição) – Millôr revisita Vão Gogô - 1998 - Beca.
  • Crítica da razão impura ou O primado da ignorância – Sobre Brejal dos Guajas, de José Sarney, e Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso – 2002 – L&PM
  • 100 Fábulas Fabulosas – 2003 – Record
  • Apresentações – 2004 – Record.
  • Novas Fábulas E Contos Fabulosos (ilustrações de Angeli) - 2007 - Desiderata.

[editar] Poesia
  • Papaverum Millôr – 1967 – Prelo. Edição revista e ilustrada: 1974 – Nórdica
  • Hai-kais – 1968 – Senzala
  • Poemas – 1984 – L&PM

[editar] Artes visuais
  • Desenhos – 1981 – Raízes Artes Gráficas. Prefácio de Pietro Maria Bardi e apresentação de Antônio Houaiss.

[editar] Teatro (em livro)
  • Teatro de Millôr Fernandes (inclui Uma mulher em três atos 1953, Do tamanho de um defunto 1955, Bonito como um deus 1955 e A gaivota 1959) – 1957 – Civilização Brasileira
  • Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país – 1962 – Editora do Autor
  • Pigmaleoa – 1965 – Brasiliense
  • Computa, computador, computa – 1972 – Nórdica
  • É... – 1977 – L&PM
  • A história é uma istória – 1978 – L&PM
  • O homem do princípio ao fim – 1982 – L&PM
  • Os órfãos de Jânio – 1979 – L&PM
  • Duas tábuas e uma paixão – 1982 – L&PM (nunca encenada)

[editar] Teatro (não editado em livro)
  • Diálogo da mais perfeita compreensão conjugal - 1955
  • Pif, tac, zig, pong – 1962
  • A viúva imortal – 1967
  • A eterna luta entre o homem e a mulher – 1982
  • Kaos – 1995 (leitura pública em 2001 – nunca encenada)

[editar] Espetáculos musicais
  • Pif-Paf – Edição extra! – 1952 (com músicas de Ary Barroso)
  • Esse mundo é meu – 1965 (em parceria com Sérgio Ricardo)
  • Liberdade, liberdade – 1965 (em parceria com Flávio Rangel)
  • Memórias de um sargento de milícias - 1966 (com músicas de Marco Antonio e Nelson Lins e Barros)
  • Momento 68 – 1968
  • Mulher, esse super-homem – 1969
  • Bons tempos, hein?! – 1979 (publicada pela L&PM - 1979 - Porto Alegre)
  • Vidigal: Memórias de um sargento de milícias – 1982 (com músicas de Carlos Lyra)
  • De repente – 1984
  • O MPB-4 e o Dr. Çobral vão em busca do mal – 1984
  • Brasil! Outros 500 – Uma Pop Ópera (com músicas de Toquinho e Paulo César Pinheiro)

[editar] Ligações externas

Wikiquote

O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Millôr Fernandes.

Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)

Sérgio Porto, por ele mesmo, "Auto-retrato do artista quando não tão jovem"

"ATIVIDADE PROFISSIONAL: Jornalista, radialista, televisista (o termo ainda não existe, mas a atividade dizem que sim), teatrólogo ora em recesso, humorista, publicista e bancário.

OUTRAS ATIVIDADES: Marido, pescador, colecionador de discos (só samba do bom e jazz tocado por negro, além de clássicos), ex-atleta, hoje cardíaco. Mania de limpar coisas tais como livros, discos, objetos de metal e cachimbos.

PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES: Mulher.

QUALIDADES PARADOXAIS: Boêmio que adora ficar em casa, irreverente que revê o que escreve, humorista a sério.

PONTOS VULNERÁVEIS: Completa incapacidade para se deixar arrebatar por política. Jamais teve opinião formada sobre qualquer figurão da vida pública, quer nacional, quer estrangeira.

ÓDIOS INCONFESSOS: Puxa-saco, militar metido a machão, burro metido a sabido e, principalmente, racista.

PANACÉIAS CASEIRAS: Quando dói do umbigo para baixo: Elixir Paregórico. Do umbigo para cima: aspirina.

SUPERTIÇÕES INVENCÍVEIS: Nenhuma, a não ser em véspera de decisão de Copa do Mundo. Nessas ocasiões comparativamente qualquer pai-de-santo é um simples cético.

TENTAÇÕES IRRESISTÍVEIS: Passear na chuva, rir em horas impróprias, dizer ao ouvido de mulher besta que ela não tão boa quanto pensa.

MEDOS ABSURDOS: Qualquer inseto taludinho (de barata pra cima).

ORGULHO SECRETO: Faz ovo estrelado como Pelé faz gol. Aliás, é um bom cozinheiro no setor mais difícil da culinária: o trivial.

Assinado,  Sérgio Porto, agosto de 1963."

Filho de Américo Pereira da Silva Porto e de D. Dulce Julieta Rangel Porto, Sérgio Marcos Rangel Porto, um cidadão acima de qualquer desfeita, nasceu no Rio de Janeiro em pleno verão, no dia 11 de janeiro de 1923, e ficou famoso anos depois sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, emprestado à Oswald de Andrade (vide Memórias de Serafim Ponte Grande). Foi casado com Dirce Pimentel de Araújo, com quem teve três filhas: Gisela, Ângela e Solange.

Dizem seus estudiosos que no citado livro teria encontrado seu grande filão:a irreverência. Começou uma obra carioquíssima, até hoje insuperável, transpondo para  jornais, livros e revistas o saboroso coloquial do Rio de Janeiro. Afirmam, também, que as melhores crônicas são aquelas onde a disposição de desfazer o sentido de uma palavra ou de uma situação não se manifesta apenas no final do enredo, mas parece atingir a estrutura da narrativa; quer dizer, a partir de pistas falsas, a história é conduzida visando a um final que não acontece, substituído por outro, totalmente inesperado (vejam Menino Precoce e A Charneca, por exemplo).

Era um mestre das comparações enfáticas:

"Mais inchada do que cabeça de botafoguense"
"Mais assanhado do que bode velho no cercado das cabritas"
"Mais suado do que o marcador de Pelé"
"Mais duro do que nádega de estátua"
"Mais feia do que mudança de pobre"
"Mais murcho do que boca de velha"

Traçou, em 12 palavras, o retrato de uma época , os tais anos dourados nada permissivos, quando o preconceito prevalecia, principalmente em matéria de sexo:

"Se peito de moça fosse buzina, ninguém dormia nos arredores daquela praça". Antes da liberação sexual, as praças e outros cantinhos escuros eram, então, um buzinaço.

Criador de Tia Zulmira, Rosamundo e Primo Altamirando, foi com seu Festival de Besteira que Assola o País - FEBEAPÁ, lançado em plena vigência da Redentora, apelido do golpe militar de 1964, que ele alcançou seu grande sucesso. Stanislaw afirmava ser difícil precisar o dia em que as besteiras começaram a assolar o Brasil, mas disse ter notado um alastramento desse festival depois que uma inspetora de ensino no interior de São Paulo, portanto uma senhora de nível intelectual mais elevado pouquinha coisa, ao saber que o filho tirara zero numa prova de matemática, embora sabendo tratar-se de um debilóide, não vacilou em apontar às autoridades o professor da criança como perigoso agente comunista.

Outras besteiras colhidas pelo autor:
"No mesmo dia em que o governo resolvia intervir em todos os sindicatos, resolvia mandar uma delegação à 16a. Sessão do Conselho de Administração da OIT, em Genebra. Ao Brasil caberia exatamente fazer parte da Comissão de Liberdade Sindical. Na mesma ocasião, um time da Alemanha Oriental vinha disputar alguns jogos aqui e então o Itamarati distribuiu uma nota avisando que eles só jogariam se a partida não tivesse cunho político. Em Mariana, MG, um delegado de polícia proibia casais de se sentarem juntos na única praça namorável da cidade, baixando portaria dizendo que moça só podia ir ao cinema com atestado dos pais. Em Belo Horizonte, um outro delegado distribuía espiões pelas arquibancadas dos estádios. Dali em diante quem dissesse mais de três palavrões ia preso."

Na mesma época (1954) em que o jornalista Jacinto de Thormes publicou na revista Manchete a lista das "Mulheres Mais Bem Vestidas do Ano", Stanislaw, que escrevia na mesma revista sobre teatro-rebolado, não quis ficar por baixo e inventou a lista das "Mulheres Mais Bem Despidas do Ano". Com a grita das mães das vedetes, passou a usar uma expressão ouvida de seu pai — "Olha só que moça mais certa" — e estavam, assim, criadas as "certinhas" do Lalau. De 1954 a 1968 foram 142 as selecionadas. Dentre outras, podemos citar Aizita Nascimento, Betty Faria, Brigitte Blair, Carmen Verônica, Eloina, Íris Bruzzi, Mara Rúbia, Miriam Pérsia, Norma Bengell, Rose Rondelli, Sônia Mamede e Virgínia Lane.

Ao contrário do que parecia ser -- um cara folgado, brincalhão, gozador e pouco chegado ao labor, Sérgio Porto, por suas inúmeras atribuições, era um lutador. Nos últimos anos de vida tinha uma jornada nunca inferior a 15 horas de trabalho por dia."Só estou levantando o olho da máquina de escrever pra botar colírioHoje fui gravar na televisão e antes foi aquela batalha contra as teclas. Estou trabalhando demais, outra vez. Só para esta semana: seis Stanislaws, um Fatos & Fotos, um final apoteótico para o novo programa do Chico Anísio, roteiro e script para aquela bosta chamada Espetáculos Tonelux, depois quadros humorísticos para a TV Rio, Miss Campeonato, Da Boca pra Fora, o programa de rádio Atrações A-9, além da revisão do livro O Homem ao Lado que será reeditado no próximo mês e da gravação do programa Qual é o assunto?" Para alguém que teve seu primeiro infarto ao 36 anos, era demais.

"Tunica, eu tô apagando". Essas foram as últimas palavras ditas pelo autor ao sofrer seu derradeiro infarto, no dia 29 de setembro de 1968.

Paulo Mendes Campos, o excelente e tão esquecido cronista mineiro, traça um perfil do autor em um texto cheio de humor e de dor pelo falecimento de Stanislaw Ponte Preta (in "O Anjo Bêbado", Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1969, pág. 7).

SÉRGIO E STANISLAW PONTE PRETA

O diabo o é que todo mundo pensa que sou um cínico; ninguém acredita que sou um sentimentalão que não agüenta uma gata pelo rabo.

Sérgio me dizia isso a milhares de metros de altitude, copo de uísque na mão, rumo a Buenos Aires. Ao saber que eu tinha resolvido assistir ao jogo Brasil e Uruguai, no Campeonato Pan-Americano de 1959, veio procurar-me com uma ansiedade incomum: precisava afastar-se do Rio de qualquer jeito, me disse, tinha decisivos assuntos íntimos sobre os quais queria pensar.

Sendo assim, por que ir a Buenos Aires? Não fiz a pergunta por entendê-lo: Sérgio possuía o talento de viver em diversas faixas ao mesmo tempo; Buenos Aires lhe calhava numa instância de decisões pessoais porque o recolhimento do hotel se somava aos benefícios do torneio de futebol, da companhia dos amigos, das anedotas jornalísticas e até mesmo dos restaurantes portenhos.

Já dentro do avião, nessa ou em qualquer outra viagem, desligado de suas duras obrigações, transformava-se: mesmo roído por dentro, a gratuidade do instante era boa demais para não ser aproveitada. Sempre que uma aeromoça lhe perguntava se queria um sanduíche ou um refrigerante, respondia alegremente com uma frase que ouviu de Billy Blanco: "Quero tudo a que eu tenha direito." E era verdade.

Na chegada a Buenos Aires, houve uma dessas súbitas situações cômicas criadas por aquele homem carregado de conflitos: avião estacionado, entrou nele um médico da saúde pública, um homem ruivo e bastante calvo. Pedindo aos passageiros que exibissem o atestado de vacina, o médico estendeu a mão para Sérgio, ao mesmo tempo que dizia em tom cavo e impessoal: "Vacunación, señor." Como se estivesse recebendo um cumprimento de boas-vindas, Stanislaw (aí era ele), muito grave, apertou a mão do médico, falando claro e efusivo: "Vacunación para usted también?" O médico, rubro de indignação, expulsou-nos do avião, sem mais exigir o documento sanitário e, enquanto eu explodia de rir, ele sussurrava-me entre os dentes: "Agüenta a mão, se não a gente acaba em cana."

O dom mais surpreendente de Sérgio era esse trânsito livre entre as manifestações da vida. Ainda no dia de nossa chegada a Buenos Aires, eu o veria em atitudes múltiplas: durante o jogo dramático entre o Brasil e o Uruguai (o três a um da briga), ele deu um empurrão nos peitos dum argentino que insultava os brasileiros, chorou quando Paulo Valentim fez o terceiro gol, riu-se às gargalhadas quando o Garrincha passou indiferente entre uruguaios e entrou no ônibus com um sanduíche enorme na boca e outro na mão; e ainda conversou longamente comigo sobre suas aflições, depois de cear com entusiasmo.

Quando acordei, ele já andava pelo saguão, depois de ler os jornais todos, à cata de histórias do Mendonça Falcão - a máquina já destampada no quarto.

Fiquei seu amigo há mais de vinte anos, quando ele escrevia crônicas de música popular para a revista Sombra. Bonito, forte, elegante, inteligente, alegre, simpático - era um privilegiado sem ostentação. Só lhe faltava o dinheiro, como de resto ao grupo todo: mesmo mal pagos, tínhamos de aceitar as ofertas que a imprensa nos fazia como um favor, bicando aqui e ali, sofrendo na carne os atrasos do caixa, brigando pelo dinheirinho de cada dia. Mas o clima não era de miséria nem de tristeza: bebíamos crepuscularmente nosso uísque escocês no Pardellas da Rua México, dançávamos no Vogue, andávamos de táxi. Já que o dinheiro era pouco, o jeito era gastá-lo no essencial: o apartamento próprio que esperasse.

Eustáquio Duarte, Lúcio Rangel, Luís Jardim, Cássio Fonseca, Jarbas Duarte eram diariamente pontuais no Pardellas; Zé Lins do Rego, Rosário Fusco, Santa Rosa, Jaime Adour da Câmara, Flávio de Aquino, Simeão Leal, Luis Santa Cruz e outros apareciam com freqüência. O jazz negro era o nosso alimento: Sérgio e seu tio Lúcio Rangel ensinaram ao resto da turma o que era puro nesse setor e o que se contaminara.

Por um momento, numa fase financeira mais dura, quase o acompanhei num gesto até certo ponto desesperado: o de escrever programas de rádio. Para ele foi o início duma vida de sucesso profissional e cruel desgaste físico. Na imprensa, no rádio e na televisão do Brasil a ascensão se confunde com a queda. Sucesso nesse terreno não é poder trabalhar menos e ganhar o suficiente: é trabalhar sempre mais. Vitorioso no Brasil é o jornalista que sempre encontra mercado de trabalho; e não preços mais altos. Só chega ao chamado certo nível de vida somando diversas atividades corrosivas.

O humorista começou a surgir no semanário Comício, excelente escola de descontração do estilo jornalístico, dirigido por Rubem Braga, e Joel Silveira, onde escreviam ainda Clarice Lispector, Millôr Fernandes, Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Rafael Correia de Oliveira, Carlos Castelo Branco, Edmar Morel, onde também apareceram as primeiras crônicas de Antônio Maria e as primeiras reportagens de Pedro Gomes.

Digo o humorista profissional, porque o da convivência com os amigos vinha do tempo das peladas em Copacabana: Sandro Moreira, João Saldanha, Mauricinho Porto, George Rangel, Máriozinho de Oliveira, Carlos Peixoto e Carlinhos Niemeyer são alguns que se lembram das histórias engraçadas de Sérgio, o Bolão.

Sua vivacidade era tão instantânea que sempre a aceitei com naturalidade. Espantava-me, isto sim, seu discernimento, agudo, preciso, a respeito de tudo: uma canção, um cantor, um vestido, um quadro, uma atmosfera, uma situação complicada. Dizia em cima a palavra exata, a observação certa, o julgamento justo.

O contraditório é que pudesse fazer humorismo uma pessoa que possuía tanto senso das proporções e da verdade escondida. Seu humorismo, bem reparado, não era o usual, pelo contrário, ele fazia humor sem caricaturar o assunto. Bernard Shaw, quando queria fazer graça, dizia a verdade. Ele também fez graça falando verdades, descobrindo verdades, tendo a coragem de ser odiado por dizê-las.

Como todo homem de sensibilidade, precisava de amigos e afeto; mas desprezava os mesquinhos, os medíocres, os debilóides, os cretinos.

Seu gosto era certo. Amava os livros e os discos, milhares de discos, discos que ouvia às vezes enquanto trabalhava, atendendo ao telefone a todo instante, recebendo amigos, contando piadas, e continuando a batucar na máquina, insistindo para que o visitante ficasse, sob a afirmação (verdadeira) de que estava acostumado a escrever no meio da maior confusão.

Eu, que apesar de tarimbado, já começo a ficar afobado no fim deste mal enramado artigo, com a redação querendo saber se já pode mandar buscá-lo, lembro a tranqüilidade de Sérgio no meio do caos, e não entendo o segredo que o dotou ao mesmo tempo de extraordinária capacidade de trabalho e da calma que deve ser a dos monges tibetanos.

De que morreu Sérgio Porto? Do coração e do trabalho.

No fim do ano passado, nas vésperas de Natal, estivemos juntos em Brasília: ele se lamentou o tempo todo no dia da volta, dizendo que ficaria ali, na ociosidade do hotel, por um tempo indeterminado. Foi difícil arrancá-lo da cama ao anoitecer. Este ano viajamos novamente juntos para São Paulo e Belo Horizonte. Foi a mesma coisa. Queria descansar, transfigurando-se no repouso, encarando com horror as atividades que o esperavam no Rio.

Na nossa última noite em Belo Horizonte, ele, Fernando, Rubem, Gérson Sabino e eu jantamos num restaurante muito bonito, que tinha de tudo, menos comida mineira. Sérgio reclamou tristemente durante todo o jantar. Queria arroz, feijão, couve, lingüiça.

Não sei por que essa lembrança me comove e serve para fechar esta página que eu não queria triste. Que a tristeza fique conosco, os amigos que o amavam.

Bibliografia:

Como Stanislaw Ponte Preta:

- Tia Zulmira e Eu - Editora do Autor, 1961
- Primo Altamirando e Elas - Editora do Autor, 1962
- Rosamundo e os Outros - Editora do Autor, 1963
- Garoto Linha Dura - Editora do Autor, 1964
- FEBEAPÁ1 (Primeiro Festival de Besteira Que Assola o País), Editora do Autor, 1966
- FEBEAPÁ2 (Segundo Festival de Besteira Que Assola o Pais), Editora Sabiá, 1967
- Na Terra do Crioulo Doido - FEBEAPÁ3 - A Máquina de Fazer Doido - Editora Sabiá, 1968

Com o nome de Sérgio Porto:

- A Casa Demolida - Editora do Autor/1963 (Reedição ampliada e revista de O Homem ao Lado - Livraria. José Olympio Editores)
- As Cariocas - Editora Civilização Brasileira, 1967

Sobre o autor:

- Dupla Exposição: Stanislaw Sérgio Ponte Porto Preta, Renato Sérgio, Ediouro, Rio de Janeiro, 1998.
- De Copacabana à Boca do Mato: o Rio de Janeiro de Sérgio Porto e Stanislaw Ponte Preta, Cláudia Mesquita.

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Máximas e Mínimas do Barão de Itararé

  • De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
  • Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.
  • Quem empresta, adeus...
  • Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
  • Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
  • Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
  • Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
  • Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.
  • Quem só fala dos grandes, pequeno fica.
  • Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
  • Depois do governo ge-gê, o Brasil terá um governo ga-gá. ( Ge-gê: apelido de . . Getulio Vargas. Ga-gá: referia-se às duas primeiras letras no sobrenome do novo presidente, Eurico Gaspar Dutra).
  • Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
  • Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
  • O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
  • Os juros são o perfume do capital.
  • Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.
  • Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.
  • O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
  • A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.
  • Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
  • Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
  • Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
  • Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
  • É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
  • A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
  • Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
  • O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
  • Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
  • Mulher moderna calça as botas e bota as calças.
  • A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
  • Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
  • Pão, quanto mais quente, mais fresco.
  • A promissória é uma questão "de...vida". O pagamento é de morte.
  • A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.