domingo, 7 de junho de 2009

O discurso ecólógico na fase do surto

O discurso ecólógico na fase do surto

domingo, 7 de junho de 2009 | 7:27

Confesso que li e reli outras duas vezes a coluna de hoje de Janio de Freitas na Folha. Pensei cá comigo: tornei-me um leitor obtuso. Há aí certamente alguma ironia que está me escapando. Mas não. Como diria o Apedeuta, “estou convencido de que” não há ironia nenhuma, e o autor realmente considera plausível o que escreve. Reproduzo trecho. Comento depois:

Uma inovação explosiva está, a partir de agora, à espera de que Lula se decida a dar-lhe o jamegão presidencial definitivo ou, em um rompante de consciência acima da política, só o faça depois de vetar as partes mais monstruosas dessa mistura de medida provisória e alterações de congressistas. A sanção integral será como o primeiro grande passo legal para futuro confronto de iniciativa internacional, e talvez bélica, contra o Brasil.
A Amazônia é o ponto fraco do Brasil no trançado das geopolíticas dos países ocidentais, cada vez mais influenciadas pela noção, de sociedades e governos, de que é necessário à humanidade preservar no planeta o que o homem ainda não arruinou. O desmatamento da Amazônia, as emissões de suas queimadas e as consequências planetárias desse processo têm hoje presença inevitável nos meios de comunicação, debates e edições científicas sobre alterações climáticas, escassez da água e relação entre ambiente e doenças.
É essa Amazônia que a MP da Presidência aprovada com agravantes pela Câmara e, na quarta-feira, pelo Senado, pretende entregar à corrosão ainda maior que a já vista.
Assinante lê mais aqui

Comento
Se o vinhozinho que tomei há pouco para aquecer a madrugada não obscureceu o meu juízo, Janio está dizendo que ou a gente cuida direito da Amazônia e faz o que mundo espera ou “eles” virão tomar a região a bala. É isso mesmo, né? E, se bem entendi, o articulista acha isso muito justo. Afinal, estaríamos dando evidências de que não sabemos tomar conta desse patrimônio da humanidade.

Isso tudo a propósito daquela MP que regulariza a posse de terras na Amazônia - reitero: regulariza o que já não é mais floresta intocada — como na imaginação desses “verdes” brasileiros que não saberiam distinguir uma árvore de verdade de uma ilustração. O terrorismo ecológico — “o mundo vai acabar; a Amazônia vai virar um deserto; morreremos todos esturricados” — cede agora, vejam só, à ameaça bélica!!! Se não por consciência ecológica, Lula teria de vetar partes da MP por covardia mesmo…

A coluna não deixa de ser útil porque dá conta do destrambelhamento a que chegou esse discurso, com a Santa Marina Silva jogando seu xale protetor sobre o espírito da floresta. É interessante que se faça essa gritaria sem que se diga o que deve ser feito com toda aquela gente. Deve virar comida de jacaré?

Já publiquei os números. Publico-os de novo. Assim está distribuído o território brasileiro. E é assim porque é, não porque eu queira:

- Unidades de Conservação e Terras indígenas - 2.294.343 km² - 27%
- Reserva legal - 2.685.542 km² - 32%
- Áreas de preservação permanente - 1.442.544 km² - 17%
- Total - 6.059.526 km²  - 71%

Se vocês fizerem a soma, verão que os territórios intocáveis são inferiores à soma das outras três. É que ainda falta espaço para atender às áreas de preservação permanente da Amazônia e do Pantanal. A coisa pode piorar…

Sabem o que isso significa? Que restaram para as cidades, para as obras de infra-estrutura e, pasmem!, para a agricultura e a pecuária  apenas 2.455.350 km² - ou seja, 29% do território nacional. É isso mesmo: menos de 30% para todo o resto. Não saí somando área por área. O levantamento é do professor Evaristo Miranda, que não é da Faculdade do Desmatamento de Xiririca da Serra. Ele pertence à respeitadíssima Embrapa.

Finalmente
Eu nunca caí na cascata, claro, de que Bush invadiu o Iraque só para pegar o petróleo. “Eles” é que diziam e dizem isso para evidenciar o quanto ele era mau. Mas convenham: se é justificável que “potências estrangeiras” venham tomar a Amazônia porque não sabemos o que fazer com ela, o ex-presidente dos EUA teria feito muito bem em tomar os poços de Saddam, não é mesmo?

O discurso ecológico, como se vê, entrou na fase do surto. Minc é contagioso.

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Por Reinaldo Azevedo

É HORA DE DESPRIVATIZAR A PETROBRAS!

É HORA DE DESPRIVATIZAR A PETROBRAS!

domingo, 7 de junho de 2009 | 7:29

A direção da Petrobras criou um blog chamado Fatos e Dados para supostamente prestar contas à opinião pública. Por que escrevo “supostamente”? Porque se trata, como está claro para quem navega por lá, de uma ferramenta de confronto. A empresa decidiu declarar guerra à imprensa — que essa gente costuma chamar de “mídia”. Isso prova, aliás, o quanto são ineficientes os blogueiros de aluguel que servem ao governismo. Justiça seja feita num particular: o blog da empresa ofende menos a língua do que, por exemplo, os apedeutismos da ratazana analfabeta ou do anão moral incapaz se empregar uma conjunção subordinativa. Os comentários aprovados pela equipe deixam claríssima a intenção: a imprensa ali só apanha e é considerada uma agente conspiradora. Jornalistas estão sendo demonizados pelos “leitores”. O teor dos comentários é o mesmo que se lê nos blogs do “jornalismo Franklinstein”.

Mas a Petrobras não pode ter um blog? Considerando o número de pessoas envolvidas com a área de comunicação, poderia ter uns 300. Esse, em particular, despreza uma noção mínima de ética na relação com a imprensa. Questões enviadas por jornalistas às assessorias que prestam serviço à Petrobras estão sendo publicadas no blog, com respostas que mal escondem o tom de permanente desafio — e, às vezes, de contido deboche. Ora, a regra firmada em todo o mundo democrático, onde a imprensa é um dos pilares do regime de liberdades públicas, supõe que as indagações de um jornalista são parte de seu trabalho e não podem ser expostas por ninguém a menos que ele autorize. Cinicamente, a empresa, por meio do blog, responde que não publicou os e-mails, mas apenas as perguntas que eles continham. Tenham paciência…

Se, das respostas dadas, faz-se uma reportagem com a qual a empresa não concorda, vá lá… Divulgar as questões no blog antes da reportagem é nada mais nada menos do que sabotagem do trabalho jornalístico, típico de quem acha que não tem de prestar contas à opinião pública. Indagado, um advogado por aí disse que isso não é ilegal. Ilegal, de fato, não é. Mas nem tudo o que não é ilegal é decente ou desejável. A menos que a direção da Petrobras e os comandantes do blog achem normal soltar pum em elevador e tirar meleca do nariz à mesa do jantar. Não são atos ilegais. Os exemplos são adequadamente asquerosos.

A Petrobras realmente é um portento. E usa a linguagem para esconder fatos, não para revelá-los. Explico o que digo. Leiam este trecho extraído do blog:

A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação, número que inclui, entre concursados e contratados, todo o pessoal de apoio do administrativo, profissionais de publicidade, relações públicas, planejamento, gestão, marca e jornalistas. Além desses profissionais, esse número inclui todos os técnicos e profissionais que atuam nas questões de responsabilidade social e ambiental. Portanto, a informação de que são “1050 jornalistas contratados”, como cita o texto, não é verdadeira.

A verdade que interessa está no primeiro período, o resto é cascata: “A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação”. Pouco importa se as pessoas da “área de comunicação” têm diploma de jornalismo, de farmácia, de massagista ou diploma nenhum. Sabem por que é um número escandaloso por definição? - Porque a Petrobras não produz a sua própria publicidade, como vocês sabem. Isso é feito por agências contratadas; - SÓ AGORA, POR CAUSA DA CPI, A EMPRESA CONTRATOU TRÊS EMPRESAS DE ASSESSORIA DE IMPRENSA, AO CUSTO DE R$ 90 MIL MENSAIS CADA, PARA CUIDAR DA, SE ME PERMITEM A TAUTOLOGIA, DE ASSESSORIA DE IMPRENSA!!! O que faz lá aquele batalhão? Ah, sim: o limite, nessa área, para contratações sem licitação, é de R$ 90 mil por contrato. Sendo a Petrobras o que é, contrataram logo três: a- uma das empresas responde aos jornalistas de TV e veículos impressos: b - outra monitora a Internet; c - uma terceira cuida da imagem da empresa no exterior.

Assim, meus caros, àqueles 1.150 (!!!!!!!!!!!!!!!!!) profissionais internos que cuidam da “área de comunicação”, devem-se somar aqueles das empresas contratadas que cuidam de publicidade, assessoria de imprensa, relações públicas etc. Alguns números nos ajudam a pensar e dão conta do descalabro: - Sabem quantos profissionais de redação (incluindo jornalistas, fotógrafos, área gráfica etc) fazem a VEJA, a maior revista do Brasil e a terceira maior do mundo? Resposta - 70. - Sabem quantos profissionais de redação (idem) fazem a Folha (incluindo revistas e suplementos especiais), o maior jornal do país? Resposta - entre 250 e 300, depende o período. - 300 também é número de referência para O Globo e Estadão.

Assim, somando-se os profissionais de VEJA, Folha, O Globo e Estadão, ainda não se chega ao pessoal “da área de comunicação” da Petrobras. Mesmo assim, por causa da CPI, a empresa contratou três empresas de assessoria de imprensa. E as perguntas a elas enviadas pelos jornalistas foram parar no… blog! Não custa lembrar: VEJA, Folha, O Globo e Estadão fazem produtos jornalísticos. Até onde se sabe, a área de atuação da Petrobras — boa parte dela, na prática, um monopólio — é outra. Chega a ser cômico que, com 1.150 profissionais ligados, como eles dizem, à “área de comunicação”, a empresa ainda precise recorrer a outras para cuidar da, ATENÇÃO!!!, “área de comunicação”.

A Petrobras é um país dentro do país. E não é de hoje. Nem é, de fato, deste governo. Mas, agora, as coisas se exacerbaram. As relações da empresa com o público assumiram as feições de José Sérgio Gabrielli, seu presidente, cuja agressividade no trato com a imprensa e com aqueles que se atrevem a pedir informações sobre a estatal é patente. Consideram uma ofensa o que é uma obrigação e um direito do cidadão. Não custa lembrar as muitas vezes em que este senhor foi claramente hostil à CPI — uma prerrogativa do Legislativo, um dos Poderes da República.

Contra a imprensa
Mal se disfarça a intenção: trata-se de tentar hostilizar a imprensa; de evidenciar o que seria a sua obsolescência; de empurrá-la para uma situação defensiva. Dia desses, Gabrielli fez referência à verba publicitária da Petrobras, sugerindo que os meios de comunicação são os maiores beneficiários dos gastos da empresa nessa área. Era uma espécie de chantagem. Era como se dissesse: “Nós lhes damos dinheiro, comportem-se”.

Trata-se, entendo, de um momento crucial para a grande imprensa: ou denuncia a manobra espúria, ou, de fato, se tornará caudatária de uma espécie de pistolagem moral.  Mais uma vez, no governo Lula, os grandes veículos de comunicação são tratados como inimigos, a despeito, é bom deixar claro, de tanta colaboração. OU O JORNALISMO DENUNCIA O JOGO OU ESTARÁ OFERECENDO O PESCOÇO PARA NEGOCIAR COM A CORDA.

Medo
E, claro, agora é inescapável destacar: há um medo verdadeiramente pânico de que a investigação chegue para valer à empresa. O que é que essa gente tanto teme, a ponto de jogar no lixo qualquer prurido ético? Não sei. Eles devem saber. Não sou adepto da teoria do “quem não deve não teme” porque, no estado policial que se tentou implantar no Brasil, mais temem os que não devem. Ocorre que a mobilização da Petrobras contra a CPI beira a histeria. E olhem que o governo tem 8 dos 11 titulares da comissão.

De volta aos comentários
Ah, sim: leitores que criticam a empresa e defendem a investigação estão sendo barrados no baile. Mas passam os que defendem a Petrobras e atacam a imprensa e a “mídia”. É, eu também barro aqui os indesejáveis. Só que não faço blog com dinheiro de empresa estatal nem tenho a obrigação, já que não sou braço do estado, de abrigar as várias correntes de opinião.

Finalmente
Tucanos decidiram apresentar uma emenda que proíbe a privatização da Petrobras. É claro que, em si, é um absurdo, já que isso só é matéria constitucional em país bananeiro. Tá, corrijo-me: o Brasil é um país bananeiro, cheio de bananas, então não é um absurdo… A medida, em si esdrúxula, talvez seja mesmo necessária. Assim, tira-se da frente esse fantasma conveniente. Quem sabe, depois disso, a Petrobras possa ser, finalmente, estatizada, né?

É hora de fazer uma campanha: PELA DESPRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS!

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Por Reinaldo Azevedo

Amazonia a venda

Amazonia a venda
Por Sarah 28/03/2006 às 10:21

Saiu na revista Epoca "Magnata compra latifúndio na Amazônia"

Saiu na revista Epoca "Magnata compra latifúndio na Amazônia"
O milionário sueco Johan Eliasch comprou uma área de 1.618 quilômetros quadrados na floresta Amazônica para prevenir o desmatamento do local. O empresário não revelou o quanto pagou pelo terreno, localizado ao norte do rio Madeira. Especulações estimam que o gasto tenha sido de cerca de R$ 17 milhões.
Eliasch está tentando dar o exemplo para outros executivos ricos de países desenvolvidos e afirma que a área não será desmatada.
Aluguem o Brasil ! Nós não vamos pagar nada.
Esta frase dita as regras do Brasil?
Neste ponto faz pensar onde foi parar o sentimento de amor ao seu país ao ponto de abrir as portas para a posse e a ganancia de um patrimonio nacional.

Amazônia à venda- Programa Fantástico - Rede Globo -1/6/08

Amazônia à venda- Programa Fantástico - Rede Globo -1/6/08

02-Jun-2008

Quem é e o que pensa o empresário sueco Johan Eliasch, apontado como o maior comprador de terras na Amazônia e diretor da ONG investigada pela Abin? Patrícia Poeta foi a Londres obter essas respostas.

Johan Eliasch é milionário, dono de uma das maiores marcas de material esportivo do mundo. É sueco e tem cidadania britânica. Na Inglaterra, foi um dos financiadores do Partido Conservador, de oposição. Mas, em 2007, mudou de lado. Agora, apóia os trabalhistas e é consultor do primeiro-ministro Gordon Brown para assuntos ambientais.

No Brasil, seu nome só era citado como marido da socialite paulista Ana Paula Junqueira. Mas, esta semana, Eliasch virou manchete dos jornais. As terras que comprou na Amazônia e a ONG que ele comanda estão sendo investigadas pelo governo brasileiro. Em Londres, Patrícia Poeta entrevistou Johan Eliasch.

Fantástico: Por que o senhor se interessou pela questão da Floresta Amazônica?

Johan Eliasch: Eu sou uma pessoa que adora árvores e que sempre se preocupou com o desmatamento. Foi assim que me interessei.

Fantástico: É certo dizer que o senhor está comprando a Amazônia, um pedacinho de cada vez?

Johan Eliasch: Não, de jeito nenhum. Eu tenho alguma terra no Amazonas através de uma empresa que comprei. Esse é o meu envolvimento e é para a proteção dessas terras.

Fantástico: Quando o senhor comprou essas terras?

Johan Eliasch: Foi em 2005.

Fantástico: Quantos hectares?

Johan Eliasch: No total, cerca de 160 mil hectares.

Fantástico: Esses 160 mil hectares equivalem a uma área maior do que a cidade de São Paulo, que tem 1.523 quilômetros quadrados. O senhor pode nos dizer quanto pagou?

Johan Eliasch: Isso eu não posso dizer porque, no contrato de compra, o preço é uma informação confidencial.

Fantástico: O que pretende fazer com essas terras?

Johan Eliasch: Garantir que não haverá extração ilegal de madeira, que as áreas ficarão livres disso e também para desenvolver o local de maneira sustentável. Eu quero permitir à comunidade local fazer coleta de castanhas de graça. Eu criei meios de subsistência nessas áreas.

Fantástico: O senhor pretende comprar mais terras na Amazônia?

Johan Eliasch: Eu não pretendo comprar mais terras do que eu já tenho.

Fantástico: A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) acredita que o senhor esteja incentivando a compra de terras na Amazônia por estrangeiros por causa de uma declaração que ele deu em 2006. O senhor sugeriu que a Amazônia poderia ser comprada por US$ 50 bilhões?

Johan Eliasch: O que falei foi em uma conferência para empresas de seguros, em 2006. E o que eu disse é que o valor hipotético da Amazônia era pequeno comparado ao que as seguradoras gastaram com os prejuízos do furacão Katrina. E que elas deveriam incentivar ações antidesmatamento. Foi isso que disse.

Fantástico: De onde foi tirado esse valor?

Johan Eliasch: Com base em um preço hipotético do valor das terras naquela época. Mas disse apenas como a intenção de incentivar as seguradoras a patrocinar a proteção da floresta.

Fantástico: O governo brasileiro está investigando ONGs internacionais que atuam na Amazônia e a Cool  Earth, que o senhor fundou, está entre elas.

Johan Eliasch: Eu nunca fui notificado sobre qualquer investigação. Tenho certeza que a Cool Earth operou e atua de acordo com todas as leis, brasileiras, inglesas ou quaisquer outras leis.

Fantástico: Então, por que o senhor acha que existe esta suspeita?

Johan Eliasch: Eu não sei.

Fantástico: Ao fazer uma doação, o dinheiro vai para um projeto, mas também vai para a compra de terras?

Johan Eliasch: A Cool Earth não é dona de terra alguma. O que ela faz é apoiar projetos junto às comunidades locais para proteger a floresta.

Fantástico: De onde vocês tiraram os números para afirmar que com 35 libras o doador tem garantida a preservação de 22 árvores adultas, seis animais ameaçados de extinção e mais de 11 mil espécies de insetos?

Johan Eliasch: O preço é o que nós estimamos, que por 35 libras dá para efetivamente proteger meio acre de terra. E a fonte dos números são institutos de pesquisa brasileiros e internacionais.

Fantástico: Em sua opinião, a quem pertence a Floresta Amazônica?

Johan Eliasch: Pertence aos brasileiros e é assim que tem que ser.

Fantástico: Algumas pessoas no Brasil o vêem como um invasor, alguém que veio de fora, comprou terras e quer tirar lucro delas. O que acha disso?

Johan Eliasch: Acho que é uma invenção da imprensa brasileira, talvez inspirada por razões políticas. Mas minhas intenções são apenas... Eu gosto do Brasil, acho que é um lugar maravilhoso. Eu também gosto de árvores, floresta. Estou apenas tentando ajudar a proteger a Floresta Amazônica. É isso.

Fantástico: O senhor não acha que a maneira como a Cool Earth atua no Brasil pode ser chamada de um novo tipo de colonialismo?

Johan Eliasch: Não existe colonialismo nisso. Existe apenas um apoio financeiro para pessoas

Clique aqui e assista a matéria, enquanto estiver disponível no site da Globo: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM835319-7823-QUANTO+VALE+A+AMAZONIA,00.html

Terras públicas na Amazônia são colocadas à venda na Internet

Terras públicas na Amazônia são colocadas à venda na Internet

Clipping | 29/06/2004

Agência Brasil - Anúncios divulgados pela internet oferecem terras públicas na Amazônia a R$ 50 e R$ 150 o hectare. A cada quatro meses, surgem novas páginas eletrônicas oferecendo terrenos na Amazônia. Umas são em português e outras em inglês, direcionadas ao comprador estrangeiro. A maior parte das terras da Amazônia, entretanto, não pode ser vendida, porque é propriedade da União. Só podem ser negociadas aquelas cuja titularidade foi transferida do governo para um proprietário particular.

Segundo o superintendente da Polícia Federal no Pará, José Sales, o golpe não tem dado muito certo. Ele disse que nenhum comprador levou ou ocupou a terra pública da região até agora.

O promotor de Justiça do Ministério Público do Pará, Felício Pontes Júnior, afirma que a origem dos anúncios está sendo investigada. “Nós temos tentado identificar o país de origem dessas informações. Depois, remetemos à Polícia Federal para que acione a Interpol e, assim, consiga descobrir quem são os responsáveis por aqueles sítios na internet”. De acordo com o promotor, o mais difícil é localizar os responsáveis pelos sites internacionais, já que nem todos os países obrigam essas pessoas a se identificar.

Outro problema encontrado, desta vez pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é a quantidade de títulos emitidos por cartórios para legalizar as terras da Amazônia. O gerente-executivo do Ibama no Pará, Marcílio Monteiro, diz que essa é uma fonte de lucro para os cartórios e de perda para a União.

Para tentar impedir a venda de terrenos na Amazônia, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já começou a implantar novas técnicas de identificação de áreas públicas e privadas na região. O presidente do Instituto, Rolf Hackbart, disse que a fiscalização do Incra na Amazônia é feita por amostragem. "Mas, agora, nós vamos fazer o geo-referenciamento com fotos de satélite de todos os imóveis rurais do país. Isso é um programa para ser implantado em nove anos, mas já estamos iniciando em várias regiões e o Norte vai ser prioridade. Os técnicos do Incra vão a campo e nós teremos as fotos de satélite”, explicou.

Quem compra terras públicas na Amazônia é investigado e pode ser condenado por estelionato, se for comprovada má-fé no negócio. Neste caso, a pena varia de 1 a 5 anos de prisão em regime fechado.

Marcela D’Alessandro

Amazônia à Venda

Amazônia à Venda

Publicado por Cristiane

em 19 de maio, 2006

Carlos Chagas, jornalista, mantém coluna na “Tribuna da Imprensa”, do RJ, onde publicou este texto:

Nem tudo está perdido. Esta semana, o Senado parou. Parou e tremeu com a denúncia feita pelo senador Arthur Virgílio, a respeito da amazônica brecha aberta pela Lei de Concessão de Florestas Públicas, aprovada recentemente.

Para o líder do PSDB, é inadmissível que um milionário sueco-americano se tenha vangloriado de haver adquirido, na Amazônia, área igual à da Grande Londres, da qual, através de parcerias com grandes grupos internacionais privados, anunciou que buscará tirar proveito comercial, explorando e vendendo tudo o que existe em seus limites, da madeira à biodiversidade e ao subsolo.

O indigitado personagem da denúncia chegou a declarar à imprensa dispor de força política para mudar o protocolo de Kioto, assinado pelas principais nações do planeta, em defesa do meio ambiente. Seria uma espécie de “liberou geral” na Amazônia.

Arthur Virgílio cobrou providências do governo federal e do governador do Amazonas, para quem, conforme acentuou, tratou-se da aplicação da lei entre dois entes privados, não cabendo intervenção do poder público.

O crime é de lesa-pátria

É preciso descer à raiz do problema. Essa lei celerada foi proposta ao Congresso pelo então presidente FHC, que até antes de sua aprovação pelo Congresso fez propaganda dela na Europa, convidando empresários e governos a adquirirem parcelas da floresta amazônica.

Veio o governo Lula e imaginou-se a retirada do projeto, por bater de frente com a pregação do candidato, retoricamente nacionalista e cultor da soberania nacional.

Ledo engano. O Lula seguiu na mesma linha e fez aprovar a lei, que sancionou sob os aplausos da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e do PT.

Pelo texto, qualquer cidadão ou empresa nacional ou estrangeira fica autorizado a comprar a floresta por um período de 40 anos, renováveis por mais 40, para extrair madeira e apropriar-se da biodiversidade, patenteando milhares de recursos vegetais ainda desconhecidos da ciência, assim como explorar o subsolo.

O resultado é que a Amazônia vem sendo vendida. Dilapidada. O próprio sueco-americano, referindo-se aos milhões que pagou pelo seu pedaço, vangloriou-se de que a Amazônia inteira pode ser comprada por 50 bilhões de dólares. Foi o que recomendou aos bancos internacionais.

Na sessão onde a denúncia de Virgílio foi feita, seguiram-se dezenas de apartes, todos na condenação da iminência da perda total da propriedade do nosso território.

Trata-se da internacionalização da região, há tantas décadas e até há séculos cobiçada pelas nações ricas, sob o pretexto de que a Amazônia pertence à Humanidade e os brasileiros não têm capacidade para cuidar dela.

O crime praticado é de lesa-pátria, pelo qual deveriam responder os presidentes FHC e Luiz Inácio da Silva. Eles e o Congresso, que aprovou o projeto.

Mídia calou-se diante do fato

Nas terras adquiridas, de acordo com essa lei, fica o poder público impedido de atuar, abrindo-se outra alternativa, no caso para os que pretendem manter intocada a mais rica reserva natural do mundo.

Depois de receberem a concessão, poderão mandar os amazônidas embora de suas glebas, proibindo qualquer projeto nacional de desenvolvimento.

Conforme o senador Gilberto Mestrinho, a internacionalização da Amazônia só não aconteceu até hoje graças às Forças Armadas.

Para ele, a visão colonizadora dos países ricos permanece a mesma, só que agora estimulada pelo próprio governo brasileiro.

O grave nessa história é a acomodação da maior parte da mídia, há muito aberta para falsas denúncias de que o Brasil queima a floresta, acabando com o pulmão do mundo. Não é verdade. O oxigênio exarado de dia é substituído pelo gás carbônico à noite.

Não dá para entender como a ministra Marina Silva se tenha deixado enredar pelas falácias dos neoliberais defensores da lei de concessões, ela que sempre formou na primeira linha de defesa do patrimônio amazônico.

Estará iludida pela versão de que os estrangeiros, tão bonzinhos, vão comprando a floresta para mantê-la intocada, respeitando até a biodiversidade.

Pelo jeito, nunca ouviu falar daquele laboratório japonês que contrabandeou espécimes da flora medicinal da região e, lá de Tóquio, patenteou remédios que hoje compramos deles.

Trata-se de um sinal dos tempos, até irônico, porque essa mais nova denúncia acaba de ser feita por um tucano. O senador Arthur Virgílio é o líder do PSDB.
(Fonte: Jornal da Ciência, a partir de artigo publicado na Tribuna da Imprensa, em 28/4)

Amazônia à venda?

Amazônia à venda?

Compra de terras na região gera polêmica. Saiba o que é ou não ilegal

Publicado em 20/04/2006 - 00:01

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A recente compra de uma vasta região na Amazônia por um empresário sueco levantou questões recorrentes na pauta dos brasileiros: estamos preparados para proteger a nossa floresta? O que impede que outros empresários estrangeiros "tomem posse" de cada vez mais áreas verdes de nosso país? Embora o alarde do "colonialismo verde", ou seja, a aquisição de territórios da Amazônia para proteção da região, tenha sido lançado na grande imprensa como tendência para os próximos anos, especialistas afirmam que isto está longe de ser uma realidade.

Segundo pesquisadores, membros de entidades não-governamentais - como o Greenpeace - e responsáveis por órgãos e institutos públicos de proteção ao meio ambiente, a iniciativa tomada por Johan Eliasch não é uma novidade. Anteriormente, outros estrangeiros já compraram porções de terra da Amazônia, cuja porcentagem correspondia à parte privada, e não à de reserva protegida da mata. Explorar a região, porém, não é algo simples, uma vez que muitas questões esbarram na Constituição brasileira.

Saiba, clicando nos links abaixo, até que ponto a atitude do empresário é considerada lícita e quais as conseqüências desta iniciativa para o território brasileiro mais cobiçado pelas potências internacionais. Confira, ainda, como andam os projetos de proteção ambiental na região e o que, na visão de especialistas, poderia ser feito para preservar de forma mais efetiva uma das mais importantes áreas verdes do mundo.